não resisti a decorar este texto com uma fotografia panorâmica de Istambul (sim, fui eu que tirei e o Photoshop compôs).
bem e agora o texto.
Taksim? Taksim? Ten lires, same price, same price! O taxista enche o carro com 4 desconhecidos a caminho da praça Taksim, bem no centro de Istambul. Piscas, não existem! Antes uma buzinadela para avisar que vem gente a trás. Pela esquerda, pela direita o taxi carregado de turcos e um português rola numa via de acesso moderna entre um mar de carros, não chocolateiras, carros a sério. Curva à direita, curva à esquerda, turcos p'ra cima do português, português p'ra cima dos turcos. Será esta a noção de melting pot? Não!
Passa já das 24 horas e finalmente chegamos à Taksim. Mas o que é isto? É 5.ª feira à noite, os istambuleses não dormem? As ruas estão apinhadas de famílias, de grupos de jovens, de luzes, de carros, de vida.
Caminhei estarrecido Istiklal Caddesi abaixo. Uma pequena exposição de fotografias atraiu a minha atenção. Mas... esta foto faz-me lembrar uma cidade que muito bem conheço! Não! É mesmo Istambul.
Mais abaixo reconheço o aroma doce, mas de Outono, de castanhas assadas. E não é que são mesmo castanhas assadas ou kestanes como dizem os turcos.
Numa travessa por entre mesas de gente a fumar narguile, por entre montras de restaurantes que preparam comidas de aromas desconhecidos ouço as atoardas musicais de bares que procuram a atenção de quem passa. Finalmente o Hotel. Nada de luxos que os orçamentos anda pelas ruas da amargura.
Istambul é muito mais que que os circuitos percorridos entre espanhóis que berram, japoneses que fotografam, americanos que parecem mamutes humanos sempre à frente de toda a gente. Istambul é muito mais que a inacreditável e indescritível igreja ou mesquita da Santa Sabedoria, é mais que a Mesquita Azul, o Palácio de Topkapi ou o Grande Bazar. É mais, mas ficamos sempre a conhecer de menos.
Istambul é um verdadeiro melting pot de culturas, de tradições, de material genético misturado ao longo de 30 séculos que a transformou em lugar único, vivo, incrivelmente europeu e ao mesmo tempo árabe, ortodoxo, grego, curdo, arménio ou até português, como a palavra que usam para laranja: portakal! What means portakal? À pergunta obtenho como resposta: um. Torci o nariz e ao fim de mais três ou quatro tentativas de diálogo percebi que os guias de viagem não sabem o que dizem quando dizem que os istambuleses de uma forma geral falam Inglês. No hotel, nos museus, em alguns cafés e numa ou outra loja entende-mo-nos uns aos outros, mas fiquemos por aí. Confirmei mais tarde a minha suspeita de que portakal significa mesmo laranja e ao mesmo tempo Portugal. Estranho não é? Como estranho é ver na montra da Nike o manequim com o equipamento da selecção portuguesa e aos pés a bola "A equipa de todos nós".
De todos nós, quem? É que só naquela cidade vivem 14.000.000 de pessoas. De pessoas como o Volkhan, aquele professor de matemática que encontrei numa pequena manifestação contra o desemprego de professores (pelos vistos são cerca de 30.000 na Turquia). Palavra puxa palavra Ricardo Quaresma, José Mourinho, Cristiano Ronaldo, mas a seguir vieram mesmo as surpresas. Não é que o Volkhan conhece a Mariza e "uma brasileira que se chama Teresa Salgu Eiro". Expliquei que esta Teresa Salgueiro é bem portuguesa, mas caí de rastos quando ele me disse que conhecia uma outra coisa de Portugal: o "malau malau". O quê? O Malhão Malhão! Sim, por breves segundos tentei dançar e cantar o que me recordava de ver nalgumas romarias por onde passei. Nada mais que uma caricatura mal feita dos extraordinários ranchos folclóricos do nosso Minho.
Existe em Istambul uma forte presença da cultura intelectual latina. Seja pela música que se ouve nos modernos cafés e restaurantes, seja até pelo eléctrico da Istiklal Caddesi que, não sei porque razão, me faz lembrar Buenos Aires. Não sei se por fotografias, se por leituras ou se pelo simples desejo de conhecer o Sul.
A Capital Europeia da Cultura 2010 é uma cidade moderna, modernidade reflectida no surpreendente Istambul Modern, que mereceria um edifício da mão de Siza Vieira, ou nas diferentes galerias com mostras de trabalhos de artistas turcos, ou de renomeados artistas como Botero, presente no Museu Pera.
Istambul é isto, mas é tudo o resto que fica por descrever e tudo o muito que ficou por conhecer, são Igrejas com 15 séculos e Mesquitas com 5, são arranha-céus com 40 andares e arménios que coleccionam o lixo do chão, são muçulmanos que não deixam qualquer espaço livre em mesquitas às 4h30 da manhã, são turcas lindas que passeiam sozinhas pela rua, são muçulmanas tão lindas que passeiam de braço dado com os pais, são turcos de 70 anos que nos apertam a mão quase até nos vergar e explicam que tanto vigor se deve a muito iogurte e rakia, são mansões nas margens do Bósforo e quase barracas nalgumas zonas da cidade.
É uma cidade que não deve ficar por visitar.
Mais fotografias no meu Facebook.
9.6.10
7.6.10
a importância de conhecer
Na minha recente viagem a Istambul chegada a hora de iniciar as despedidas à cidade, entrei num dos vários modernos e cosmopolitas cafés da Istiklal Cadesi para tomar um chá.
Sorte, grande sorte a minha, pois ao meu lado estava sentado um amigo Camaronês - Tanko - colaborador na NATO, muçulmano que visitava a cidade para a grande manifestação a favor do Povo Palestiniano. Feitas as apresentações, Cristiano Ronaldo, Etoo e José Mourinho na conversa, política, poderes militares, religião e Palestina.
Mas sorte das sortes, ao fim de alguns minutos juntou-se um dos mais proeminentes intelectuais islâmicos da actualidade, o Professor Rachid Benaïssa.
Num passeio Istiklal Cadesi acima até à Praça Taksim assisti a uma discussão apaixonada, compreendi muitos dos problemas existentes no Médio Oriente, fiquei a conhecer factos de discriminação cultural para com as diferentes comunidades islâmicas, dei a minha visão católica e portuguesa do que se passa.
Esta experiência enriqueceu muito a fundamentação das minhas opiniões acerca dos problemas políticos/religiosos a que assistimos. Convido-vos a procurarem fazer o mesmo, lerem opiniões, conhecer os factos, conhecer pessoas para que, cada um de nós, possa construir uma opinião fundamentada e ajudar a desenvolver, de forma activa, uma sociedade global mais livre, mais igualitária, mais respeitadora da diferença.
O Professor Rachid Benaïssa nasceu na Argélia e é essencialmente conhecido como ex oficial internacional da UNESCO (1978-2002), um importantíssimo cargo diplomático daquela organização. É um distinto intelectual muçulmano que influenciou gerações com as suas ideias e seminários desde os anos 60. Benaïssa apresentou mais de 200 conferências internacionais sobre diferentes temas, essencialmente educativos, culturais, religiosos e políticos. O Professor Benaïssa é um especialista em linguística que ainda lecciona na Universidade de Viena. Fala Berbere, Árabe, Francês, Inglês, Persa, Hebraico, Russo e Bósnio. Neste momento trabalha num dicionário de linguística acerca da origem árabe dos idiomas modernos.
Sorte, grande sorte a minha, pois ao meu lado estava sentado um amigo Camaronês - Tanko - colaborador na NATO, muçulmano que visitava a cidade para a grande manifestação a favor do Povo Palestiniano. Feitas as apresentações, Cristiano Ronaldo, Etoo e José Mourinho na conversa, política, poderes militares, religião e Palestina.
Mas sorte das sortes, ao fim de alguns minutos juntou-se um dos mais proeminentes intelectuais islâmicos da actualidade, o Professor Rachid Benaïssa.
Num passeio Istiklal Cadesi acima até à Praça Taksim assisti a uma discussão apaixonada, compreendi muitos dos problemas existentes no Médio Oriente, fiquei a conhecer factos de discriminação cultural para com as diferentes comunidades islâmicas, dei a minha visão católica e portuguesa do que se passa.
Esta experiência enriqueceu muito a fundamentação das minhas opiniões acerca dos problemas políticos/religiosos a que assistimos. Convido-vos a procurarem fazer o mesmo, lerem opiniões, conhecer os factos, conhecer pessoas para que, cada um de nós, possa construir uma opinião fundamentada e ajudar a desenvolver, de forma activa, uma sociedade global mais livre, mais igualitária, mais respeitadora da diferença.
O Professor Rachid Benaïssa nasceu na Argélia e é essencialmente conhecido como ex oficial internacional da UNESCO (1978-2002), um importantíssimo cargo diplomático daquela organização. É um distinto intelectual muçulmano que influenciou gerações com as suas ideias e seminários desde os anos 60. Benaïssa apresentou mais de 200 conferências internacionais sobre diferentes temas, essencialmente educativos, culturais, religiosos e políticos. O Professor Benaïssa é um especialista em linguística que ainda lecciona na Universidade de Viena. Fala Berbere, Árabe, Francês, Inglês, Persa, Hebraico, Russo e Bósnio. Neste momento trabalha num dicionário de linguística acerca da origem árabe dos idiomas modernos.
2.6.10
as escolas que fecham
Nos últimos dias tem vindo a lume o novo programa de reestruturação do ensino, que prevê fechar todas as escolas do ensino básico que tenham menos de 21 alunos.
E isto vem, mais uma vez, mostrar a razão de muitos, mas mesmo muitos dos nossos problemas estruturais: a falta de planeamento urbano.
Ao viajar por Portugal, na actualidade, percebe-se claramente que existe uma forte densidade populacional junto do litoral, em especial a norte, com pequenas cidades e vilas em contínuo desde Aveiro a Braga.
À primeira vista até parece muito interessante haver cidadezinhas de 10.000 a 20.000 habitantes. Mas, o problema é que uma cidade assim não tem dimensão para poder oferecer as condições de vida que a sociedade urbana moderna exige - boas escolas, transportes públicos, hospitais, bibliotecas, boas áreas comerciais, boas áreas de lazer e desporto...
O facto de todos querermos o nosso hospital, a nossa escola, biblioteca ou piscina faz com que os recursos sejam dispersos por poucos utilizadores, empobrecendo o país e deixando toda a gente "assim assim", nem bem nem mal. Assim que o ser humano deixou de ser nómada estabeleceu comunidades, pequenas aldeias, depois vilas e mais tarde núcleos urbanos mais densos, mas não se dispersou. A dispersão urbana parece ser uma ideia pouco racional de ordenamento, causadora de empobrecimento e condições de vida invariavelmente insatisfatórias. Os portugueses parecem todos exigir o seu canto, sem perceber muito bem quais serão as consequências. Talvez isso faça de nós um povo especial, um país especial, mas com um preço a pagar.
Eu não percebo nada de planeamento urbano ou ordenamento do território, apenas escrevo acerca do que vou vendo. E a mim vejo um país pobre, dependente e estruturalmente frágil e encontro uma razão: dispersão territorial da população.
Aceitam-se opiniões. ;)
E isto vem, mais uma vez, mostrar a razão de muitos, mas mesmo muitos dos nossos problemas estruturais: a falta de planeamento urbano.
Ao viajar por Portugal, na actualidade, percebe-se claramente que existe uma forte densidade populacional junto do litoral, em especial a norte, com pequenas cidades e vilas em contínuo desde Aveiro a Braga.
À primeira vista até parece muito interessante haver cidadezinhas de 10.000 a 20.000 habitantes. Mas, o problema é que uma cidade assim não tem dimensão para poder oferecer as condições de vida que a sociedade urbana moderna exige - boas escolas, transportes públicos, hospitais, bibliotecas, boas áreas comerciais, boas áreas de lazer e desporto...
O facto de todos querermos o nosso hospital, a nossa escola, biblioteca ou piscina faz com que os recursos sejam dispersos por poucos utilizadores, empobrecendo o país e deixando toda a gente "assim assim", nem bem nem mal. Assim que o ser humano deixou de ser nómada estabeleceu comunidades, pequenas aldeias, depois vilas e mais tarde núcleos urbanos mais densos, mas não se dispersou. A dispersão urbana parece ser uma ideia pouco racional de ordenamento, causadora de empobrecimento e condições de vida invariavelmente insatisfatórias. Os portugueses parecem todos exigir o seu canto, sem perceber muito bem quais serão as consequências. Talvez isso faça de nós um povo especial, um país especial, mas com um preço a pagar.
Eu não percebo nada de planeamento urbano ou ordenamento do território, apenas escrevo acerca do que vou vendo. E a mim vejo um país pobre, dependente e estruturalmente frágil e encontro uma razão: dispersão territorial da população.
Aceitam-se opiniões. ;)
29.5.10
guia de arquitectura norte e centro de portugal
Hoje, dia 29 de Maio, é apresentado no Hotel Infante Sagres, na Praça D. Filipa de Lencastre, o Guia de Arquitectura do Norte e Centro de Portugal. Um guia com prefácio do Arquitecto Álvaro Siza Vieira, que apresenta as mais interessantes obras de arquitectura construídas no Norte e Centro do país, após o ano de 1974.Álvaro Siza, no texto introdutório do livro afirma: “…Posso pessoalmente prever o interesse que despertará a publicação deste Guia… A procura de Guias de Arquitectura, não só por parte de arquitectos, acompanha hoje o hábito e gosto generalizados de viajar.”
Este guia, da autoria dos arquitectos Nuno Campos e Patrícia Matos (Traço Alternativo - arquitectos associados), que contou com a colaboração da Agitato na paginação, design gráfico e acompanhamento do projecto (fotografia de capa e de uma das obras), responde de forma eficaz aos anseios de todos aqueles que gostam de visitar obras de arquitectura: um guia com boas obras, fotos esclarecedoras, mapas e, inovando neste ponto, com coordenadas GPS.
Para este e futuros guias foi construída uma plataforma digital (em fase final de testes) que permitirá ao utilizador obter informação actualizada acerca das obras do guia que comprou e das obras que vão sendo construídas pelo país. Na plataforma será possível fazer o download do ficheiro relativo a cada obra. Vale bem a sua visita.
21.5.10
Manter segredos na Internet
Este título parece um paradoxo do mundo em que vivemos. Ou então um comentário näif de alguém que anda "um pouco" alheada do que é a Internet.
Seth Godin escreve acerca de um site que dá uma mãozinha a quem tem segredos que quer partilhar apenas com algumas pessoas.
O projecto Trick.ly permite a publicação de endereços de Internet semi-protegidos por uma pergunta para a qual apenas algumas pessoas poderão conhecer a resposta.
Por exemplo eu deixo aqui um link para um segredo que quero partilhar apenas com os meus amigos próximos.
Assim que seguirem o link é feita uma pergunta, por exemplo: Que prato gosto de cozinhar para os meus amigos?
Só quem souber a resposta tem acesso à página.
Pode ser útil, não pode? ;)
Seth Godin escreve acerca de um site que dá uma mãozinha a quem tem segredos que quer partilhar apenas com algumas pessoas.
O projecto Trick.ly permite a publicação de endereços de Internet semi-protegidos por uma pergunta para a qual apenas algumas pessoas poderão conhecer a resposta.
Por exemplo eu deixo aqui um link para um segredo que quero partilhar apenas com os meus amigos próximos.
Assim que seguirem o link é feita uma pergunta, por exemplo: Que prato gosto de cozinhar para os meus amigos?
Só quem souber a resposta tem acesso à página.
Pode ser útil, não pode? ;)
etiquetas:
internet
10.5.10
e pronto, de repente tudo acalma
De amigos benfiquistas e reputados comentaristas é comum ouvirmos dizer que o SLB ser campeão é bom para a economia e para os portugueses, que andam tristes, acabrunhados com todas os cenários de dificuldade que nos apresentam diariamente.
Não julguei é que o SLB campeão tivesse um efeito tão repentino! Já hoje pela manhã o BCE inicia a compra da dívida pública dos estados membros gerando um movimento de descida nas taxas de juro e uma fabulosa subida nos índices bolsistas europeus.
Espero ansiosamente pelos próximos títulos do Público Online para saber que outras influências tem esta conquista vermelha.
Não julguei é que o SLB campeão tivesse um efeito tão repentino! Já hoje pela manhã o BCE inicia a compra da dívida pública dos estados membros gerando um movimento de descida nas taxas de juro e uma fabulosa subida nos índices bolsistas europeus.
Espero ansiosamente pelos próximos títulos do Público Online para saber que outras influências tem esta conquista vermelha.
os problemas da dívida
Infelizmente este não é um tema que me seja desconhecido. Não querendo procurar razões alheias à minha própria capacidade de tomar decisões, partilho da grande maioria das ideias assentes neste post e neste outro. De facto, aquilo que nos ensinam nas licenciaturas de gestão (ou com forte componente de gestão, como foi o meu caso) acerca da utilização da dívida (recurso ao crédito), para aquisição dos bens ou realização dos projectos, antecipando a capacidade financeira necessária para a sua concretização, são um mito! Um mito que leva as classes médias de sociedades, como a portuguesa, a entrarem em situações de ruptura. Ruptura tantas vezes não só financeira, mas também familiar, emocional, degradando profundamente as relações de sociedade.
Leiam os dois posts. Estão em Inglês, mas são de leitura fácil e podem ajudar a explicar os problemas graves que a nossa economia está a enfrentar. Eu já aprendi uma lição muito importante!
Duas citações para abrir o apetite:
"Os ricos mandam sobre os pobres, e os devedores são escravos dos que emprestam", versículo 22:7, sim da Bíblia.
"Não existe um atalho para um sítio onde valha a pena ir", Beverly Sills.
As soluções dependem essencialmente de nós. ;)
Leiam os dois posts. Estão em Inglês, mas são de leitura fácil e podem ajudar a explicar os problemas graves que a nossa economia está a enfrentar. Eu já aprendi uma lição muito importante!
Duas citações para abrir o apetite:
"Os ricos mandam sobre os pobres, e os devedores são escravos dos que emprestam", versículo 22:7, sim da Bíblia.
"Não existe um atalho para um sítio onde valha a pena ir", Beverly Sills.
As soluções dependem essencialmente de nós. ;)
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