Em Novembro de 2010 a agitato inaugurou um importante projecto desenvolvido ao longo de largos meses (ideia, conceito, estruturação, desenho e programação) que marca um ponto de viragem na forma como algumas vilas, cidades ou regiões portuguesas podem comunicar.
O portal cortegaça.pt é um projecto desenvolvido com o objectivo de melhorar a comunicação da Vila de Cortegaça, comunicação interna (para os seus habitantes ou naturais de Cortegaça, os "Primos de Cortegaça", como com orgulho gostam de ser tratados) e comunicação externa (visitantes e turistas em viagem para Cortegaça).
A forma como as Vilas e Cidades portuguesas comunicam é, salvo honrosas excepções, má. São projectos desenvolvidos ou internamente (nas juntas de freguesia e câmaras municipais) ou pagos, a peso de ouro, a empresas de construção de websites que, na grande parte dos casos ou contratam uma avença mensal para serviços de manutenção ou deixam os sites entregues à disponibilidade de recursos das autarquias, obrigando-os a um estado de "raquitismo" de desenvolvimento.
O que a agitato propôs à junta de freguesia de Cortegaça foi o desenvolvimento de um site bem estruturado, bem organizado, com ligações a redes sociais, potenciando ainda mais a relação com a sociedade, um site que se mantivesse activo, actualizado e interessante para os públicos-alvo definidos. E isto tudo a um preço muito, mas mesmo muito reduzido.
Claro que para que este projecto seja bem sucedido e sobreviva é necessário haver, primeiro o envolvimento das colectividades locais no sentido de usarem o site como importante veículo de informação que é, e depois das empresas, apoiando os projectos locais como forma de desenvolvimento da sua imagem de responsabilidade social, ou utilizando espaços para inserção de anúncios comerciais aos seus produtos ou serviços.
Quero finalmente deixar-lhe aqui um convite para uma análise e comentário ao site.
22.11.10
13.7.10
Aprender procedimentos ou aprender a ver?
Na sequência do último artigo que escrevi e num dia em que abrem as candidaturas ao Ensino Superior apetece-me voltar ao tema.
Ontem, a RTP-N perguntava aos telespectadores se o aumento de lugares no ensino superior significava melhor ensino. Que pergunta ridícula, pensei eu.
Que raio tem uma coisa a ver com a outra? Nada!
Existe uma expressão portuguesa que, na minha opinião, deveria ser mais usada:
Só assim poderemos criar coisas novas, resolver os nossos problemas. Num mundo em que toda a gente sabe ler os procedimentos e resolver os exercícios pré-definidos, se só soubermos fazer isso vamos ser mais uma formiga no carreiro, da mesma cor, do mesmo tamanho, trabalhadora como as outras, mas sem nada que a distinga.
Escrevo de fora do sistema de ensino. Sei que existem muito bons professores - eu tive os meus -, mas tenho algumas dúvidas que o sistema esteja preparado para motivar e distinguir esses bons professores.
Curiosamente, um dos bloggers que mais acompanho publicou hoje um artigo acerca deste tema.
É uma boa fonte: ver o artigo do Seth Godin
Ontem, a RTP-N perguntava aos telespectadores se o aumento de lugares no ensino superior significava melhor ensino. Que pergunta ridícula, pensei eu.
Que raio tem uma coisa a ver com a outra? Nada!
Existe uma expressão portuguesa que, na minha opinião, deveria ser mais usada:
Olhar com olhos de ver!Esta expressão diz muito acerca do tipo de ensino com que estamos a preparar os Portugueses. Estamos a ensinar formas de resolver exercícios pré-definidos, ensinamos história (da história, da literatura, da filosofia, da química, da física, da matemática), mas esquece-mo-nos de ensinar a ver, analisar, dar a volta e ver o problema por outro lado, noutra perspectiva.
Só assim poderemos criar coisas novas, resolver os nossos problemas. Num mundo em que toda a gente sabe ler os procedimentos e resolver os exercícios pré-definidos, se só soubermos fazer isso vamos ser mais uma formiga no carreiro, da mesma cor, do mesmo tamanho, trabalhadora como as outras, mas sem nada que a distinga.
Escrevo de fora do sistema de ensino. Sei que existem muito bons professores - eu tive os meus -, mas tenho algumas dúvidas que o sistema esteja preparado para motivar e distinguir esses bons professores.
Curiosamente, um dos bloggers que mais acompanho publicou hoje um artigo acerca deste tema.
É uma boa fonte: ver o artigo do Seth Godin
3.7.10
Nota 20!
Aos 7 anos: então, quantos Muito Bons tiveste?
Aos 12: olá! As notas? Quantos 5 tiveste?
Aos 17: então e as provas específicas? Preparado? Que média precisas para entrar no curso?
E na universidade continua o ritmo de trabalho em busca da nota. O 9,5 na frequência é o mínimo, e entre os que trabalham para a nota máxima e os que bebem uns copos contentando-se com o 9,5 o plano de acção continua a ser baseado em quê? Notas, notas, notas!
Os problemas surgem quando todas estas gerações formadas para a nota, para cumprir planos traçados, para não fugir das regras estabelecidas são sujeitos a problemas que têm de ser resolvidos e com os quais nunca lidaram.
Sem espírito crítico, sem capacidade de busca de soluções, sem desenvoltura para ver os problemas por outra perspectiva acabam por se submeter a decisões, opiniões ou imposições que, no limite, nos levaram à situação em que estamos: uma sociedade deprimida, à espera que alguém de fora nos mostre o caminho, nos dê as lições de que temos saudade e que nos recordam os bons momentos académicos, em que mais jovens apenas tínhamos de seguir o que nos livros era escrito ou mecanizar exercícios à exaustão, raramente percebendo para que serviam.
O pensamento criativo, a busca de soluções alternativas, a coragem de as testar, de as aplicar é o único segredo para o sucesso individual ou de uma sociedade que, como a nossa continua atascada no lodo depressor da falta de liderança, que dura há já vários séculos.
Aos 12: olá! As notas? Quantos 5 tiveste?
Aos 17: então e as provas específicas? Preparado? Que média precisas para entrar no curso?
E na universidade continua o ritmo de trabalho em busca da nota. O 9,5 na frequência é o mínimo, e entre os que trabalham para a nota máxima e os que bebem uns copos contentando-se com o 9,5 o plano de acção continua a ser baseado em quê? Notas, notas, notas!
Os problemas surgem quando todas estas gerações formadas para a nota, para cumprir planos traçados, para não fugir das regras estabelecidas são sujeitos a problemas que têm de ser resolvidos e com os quais nunca lidaram.
Sem espírito crítico, sem capacidade de busca de soluções, sem desenvoltura para ver os problemas por outra perspectiva acabam por se submeter a decisões, opiniões ou imposições que, no limite, nos levaram à situação em que estamos: uma sociedade deprimida, à espera que alguém de fora nos mostre o caminho, nos dê as lições de que temos saudade e que nos recordam os bons momentos académicos, em que mais jovens apenas tínhamos de seguir o que nos livros era escrito ou mecanizar exercícios à exaustão, raramente percebendo para que serviam.
O pensamento criativo, a busca de soluções alternativas, a coragem de as testar, de as aplicar é o único segredo para o sucesso individual ou de uma sociedade que, como a nossa continua atascada no lodo depressor da falta de liderança, que dura há já vários séculos.
22.6.10
os portugueses não passam cartão à ciência
De acordo com um estudo do Euro Barómetro (ver notícia do Público Online) 35% dos portugueses dizem não se interessar de todo por descobertas científicas e progresso tecnológico.
Sendo este o 4.º valor mais elevado entre os 27 países da União Europeia. Os portugueses ficam atrás apenas da Bulgária, Roménia e Lituânia.
Pois é meus senhores, se enquanto sociedades que se desenvolveram, economias que cresceram tornando-se o destino de tantos emigrantes portugueses, dão importância ao ensino da ciência, ao seu conhecimento, a sociedade portuguesa ainda fechada, parca de espírito crítico, olha para a ciência como uma religião de totós, que usam óculos graduados, calçam uma meia de cada cor e andam com o cabelo em pé.
Se pelos inícios do Séc. XX em Portugal, tal como nesses países onde procuramos asilo económico, se discutisse ciência nos cabeleireiros, nas barbearias e nos cafés, Portugal era hoje muito provavelmente um país na linha da frente do conhecimento e desenvolvimento científico.
Tanto quanto sei, temos 3 jornais desportivos diários. Se houvesse um jornal científico diário, de distribuição gratuita seria bem provável que nomes como João Maguejo, Elvira Fortunato, Carlos Fiolhais ou Nuno Crato fossem tão conhecidos como são os jogadores da selecção nacional.
E com esse jornal, nem imaginam a quantidade de golos que marcaríamos!
Sendo este o 4.º valor mais elevado entre os 27 países da União Europeia. Os portugueses ficam atrás apenas da Bulgária, Roménia e Lituânia.
Pois é meus senhores, se enquanto sociedades que se desenvolveram, economias que cresceram tornando-se o destino de tantos emigrantes portugueses, dão importância ao ensino da ciência, ao seu conhecimento, a sociedade portuguesa ainda fechada, parca de espírito crítico, olha para a ciência como uma religião de totós, que usam óculos graduados, calçam uma meia de cada cor e andam com o cabelo em pé.
Se pelos inícios do Séc. XX em Portugal, tal como nesses países onde procuramos asilo económico, se discutisse ciência nos cabeleireiros, nas barbearias e nos cafés, Portugal era hoje muito provavelmente um país na linha da frente do conhecimento e desenvolvimento científico.
Tanto quanto sei, temos 3 jornais desportivos diários. Se houvesse um jornal científico diário, de distribuição gratuita seria bem provável que nomes como João Maguejo, Elvira Fortunato, Carlos Fiolhais ou Nuno Crato fossem tão conhecidos como são os jogadores da selecção nacional.
E com esse jornal, nem imaginam a quantidade de golos que marcaríamos!
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21.6.10
uma ideia para o país
É óbvio!
Vamos lá ver então o que é assim tão óbvio.
Em Portugal há uma geração de pessoas de grande valor, que assumiu grandes responsabilidades e conquistou grandes triunfos democráticos. São baby boomers que estarão com idades entre os quase 60 e os 75 anos.
Esta geração teve uma infância difícil, com sacrifícios e essencialmente falta de liberdades. Apesar de todas as dificuldades alguns tiveram a oportunidade, coragem, capacidade para conquistar o acesso àquilo que era um recurso muito reservado: formação. Não de carácter, formação académica.
Como já disse, muito fizeram, e por tudo o que fizeram recebem uma pensão de reforma da segurança social. Aliás, justiça lhes seja feita, foram eles os grandes responsáveis pelo enchimento dos cofres da segurança social nas décadas de 70, 80, 90.
Até aqui tudo parece funcionar de forma perfeita.
O problema parece-me surgir quando vejo tantos, mas tantos mesmo, cargos directivos de empresas, instituições ou organizações públicas ou privadas geridas ou dependentes de dinheiros públicos, ocupados por membros desta geração de baby boomers.
Ainda na universidade escrevi um trabalho acerca da construção do futuro. Defendo que para construir o futuro devemos contar com um conhecimento profundo do passado, da história.
Assim, todo o conhecimento e experiência desta geração de baby boomers são cruciais para que o nosso país se desenvolva, cresça e progrida de forma a gerar uma sociedade mais justa e equilibrada.
Mas, pergunto eu: toda esta geração não tem um compromisso social de transmitir esse conhecimento, essa experiência de forma voluntária?
Porque razão existem tantos e tantos directores com vencimentos bastante acima da média, que acumulam com pensões de reforma?
Serei estúpido, idiota ou naïve por achar que estes cargos deveriam ser ocupados por uma geração mais jovem (com 30, 40 ou 50 anos)?
Parece-me que em todas estas instituições ou organizações deveriam ser constituídos conselhos de sábios ou anciãos (não estou de todo a ser cínico) para a transmissão de toda essa experiência e conhecimento, para o conselho avisado às decisões dos mais novos.
Na sociedade humana as coisas funcionaram sempre assim. Porque não agora?
Estes conselheiros, que já recebem pensões de reforma, não têm de receber um vencimento pelo seu trabalho.
Devem devolver o conhecimento e experiência adquirida às gerações mais novas, de forma altruísta e por forma a deixarem à sociedade aquilo que de mais valor conseguiram: o conhecimento.
Vamos lá ver então o que é assim tão óbvio.
Em Portugal há uma geração de pessoas de grande valor, que assumiu grandes responsabilidades e conquistou grandes triunfos democráticos. São baby boomers que estarão com idades entre os quase 60 e os 75 anos.
Esta geração teve uma infância difícil, com sacrifícios e essencialmente falta de liberdades. Apesar de todas as dificuldades alguns tiveram a oportunidade, coragem, capacidade para conquistar o acesso àquilo que era um recurso muito reservado: formação. Não de carácter, formação académica.
Como já disse, muito fizeram, e por tudo o que fizeram recebem uma pensão de reforma da segurança social. Aliás, justiça lhes seja feita, foram eles os grandes responsáveis pelo enchimento dos cofres da segurança social nas décadas de 70, 80, 90.
Até aqui tudo parece funcionar de forma perfeita.
O problema parece-me surgir quando vejo tantos, mas tantos mesmo, cargos directivos de empresas, instituições ou organizações públicas ou privadas geridas ou dependentes de dinheiros públicos, ocupados por membros desta geração de baby boomers.
Ainda na universidade escrevi um trabalho acerca da construção do futuro. Defendo que para construir o futuro devemos contar com um conhecimento profundo do passado, da história.
Assim, todo o conhecimento e experiência desta geração de baby boomers são cruciais para que o nosso país se desenvolva, cresça e progrida de forma a gerar uma sociedade mais justa e equilibrada.
Mas, pergunto eu: toda esta geração não tem um compromisso social de transmitir esse conhecimento, essa experiência de forma voluntária?
Porque razão existem tantos e tantos directores com vencimentos bastante acima da média, que acumulam com pensões de reforma?
Serei estúpido, idiota ou naïve por achar que estes cargos deveriam ser ocupados por uma geração mais jovem (com 30, 40 ou 50 anos)?
Parece-me que em todas estas instituições ou organizações deveriam ser constituídos conselhos de sábios ou anciãos (não estou de todo a ser cínico) para a transmissão de toda essa experiência e conhecimento, para o conselho avisado às decisões dos mais novos.
Na sociedade humana as coisas funcionaram sempre assim. Porque não agora?
Estes conselheiros, que já recebem pensões de reforma, não têm de receber um vencimento pelo seu trabalho.
Devem devolver o conhecimento e experiência adquirida às gerações mais novas, de forma altruísta e por forma a deixarem à sociedade aquilo que de mais valor conseguiram: o conhecimento.
20.6.10
histórias de livros
Por estes dias muito se tem falado de Saramago. Entre tantas conversas e discussões, sempre mais em torno da figura, da distribuição de cinzas e da presença ou não desta ou daquela personalidade nas cerimónias fúnebres, do que da sua escrita, a minha mãe relembrou-me uma, já velha, história do primeiro Saramago que entrou cá em casa.
Lembro-me agora de uma Feira do Livro na Escola Secundária de Esmoriz, estaria eu com 14 anos, quando comprei o meu primeiro Saramago. Decisão de compra partilhada entre a minha vontade de oferecer um bom livro ao meu pai e o conselho do meu professor de Biologia, Rui Mateus (para alguns conhecido como Jo, o Índio, de quem guardo boas memórias e a minha única expulsão de uma aula. Inocente, inocente!).
Fui procurar o livro.
Lá estava ele. O Evangelho Segundo Jesus Cristo, ali mesmo por baixo da Bíblia Sagrada.
Que outro lugar poderia ter o livro que falta àquele?
Lembro-me agora de uma Feira do Livro na Escola Secundária de Esmoriz, estaria eu com 14 anos, quando comprei o meu primeiro Saramago. Decisão de compra partilhada entre a minha vontade de oferecer um bom livro ao meu pai e o conselho do meu professor de Biologia, Rui Mateus (para alguns conhecido como Jo, o Índio, de quem guardo boas memórias e a minha única expulsão de uma aula. Inocente, inocente!).
Fui procurar o livro.
Lá estava ele. O Evangelho Segundo Jesus Cristo, ali mesmo por baixo da Bíblia Sagrada.
Que outro lugar poderia ter o livro que falta àquele?
10.6.10
à espera do comboio na paragem do autocarro
navegações para fora deste Porto em que retemos o olhar cego, com medo do levante, dos novos ventos soprados de cabos nunca dobrados.
navegantes solitários nos tornámos, com o coração apertado, com a saudade da partilha de visões, de imagens, de estórias e histórias.
barcos sós num oceano de temperamentos imprevistos, onde navegamos procurando pedras no céu. procurando e voltando a encontrar aquela outra pedra rubra, aquela a que um dia, depois de muitas brincadeiras de criança, decidimos viajar para sempre.
e nesta paragem em que cegos permanecemos, o comboio não chega.
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