14.11.11

Marcas, turismo e histórias

A base de construção de uma marca passa fundamentalmente pela qualidade da história (ou estória) que sejamos capazes de contar e pela forma como a contamos.
Mas e se for possível contar várias histórias numa mesma história?
Os Pastéis de Belém acabam de fazer isso.
Com um conjunto de ilustrações de André Carrilho embalam a sua história e contam um pouco da história do Fado, que é também a de Portugal.


Aprender HTML e CSS

Vários são os meus clientes e amigos que me colocam questões acerca de HTML ou CSS. De facto há já quem afirme que no mundo de Internet em que vivemos esta é uma linguagem tão fundamental como o Inglês.
Encontrei um excelente curso, totalmente gratuito, que pode ser muito útil para dar os primeiros passos ou até mesmo para servir de referência a quem já domina a linguagem.

Pode aceder à página do curso clicando aqui.

11.11.11

Atenção e comércio online

Num recente e interessante post de Seth Godin ele escreve acerca da escassez de meios vs escassez de atenção. Antigamente para chegarmos junto dos nossos clientes tínhamos de estar onde estava toda a gente, na mesma feira, na mesma rua, no canal de televisão que toda a gente via ou na estação de rádio que toda a gente ouvia.
Hoje podemos ter o nosso canal de televisão ou a nossa rádio, podemos prometer mundos e fundos, podemos ser o vendedor de meias e cuecas a berrar promoções a cada minuto que passa na romaria lá da terra. Já não importa quem berra mais alto ou quem está à altura dos olhos na prateleira do super-mercado. O que conta é a relação criada com o nosso público.
Ainda assim é preciso existir, estar presente nalgum lado. É preciso saber para onde é que estamos a chamar a atenção.
O comércio online já não é novidade nenhuma, e muitas são as empresas que se aventuram numa plataforma de comércio virtual.
Deixo aqui quatro soluções diferentes para construção de uma loja virtual:
. Virtuemart para Joomla! - uma solução sem custos mensais, mas muito exigente do ponto de vista de personalização. Exigente, mas muito flexível. Pode ser necessário adquirir um largo conjunto de extras e tem de ser instalada em Joomla!, um software gratuito para construção e gestão de sites.
. Shopify - uma excelente solução para quem não domina programação, nem tem um bom orçamento para investir na construção de uma loja totalmente personalizada. Disponível em diferentes "pacotes" de serviço, tem um custo mensal fixo e uma comissão por cada transação efetuada.
. Big Cartel - uma solução para pequenas lojas, com limite no número de produtos. Tem um custo mensal fixo bastante mais baixo que o Shopify e não cobra uma comissão por transação efetuada.
. Vendder - é uma solução de uma empresa portuguesa e poderá ser colocada entre a solução Shopify e a solução Big Cartel. Tem limite de produtos e um custo mensal fixo mais baixo que o Shopify. Também não cobra comissão por transação.

Qualquer uma das soluções permite personalização da loja, podendo modificar a estrutura da loja, as cores, as fontes, a forma como aparecem os produtos, os menus, etc. Tudo depende daquilo que pretende fazer. Até hoje só não trabalhei com Vendder, mas depois de uma análise mais aprofundada da solução parece funcionar de forma muito idêntica ao Shopify e Big Cartel, com duas importantes vantagens: a empresa é portuguesa e tem solução para loja multilingue.

Neste momento estou a finalizar uma loja com solução Virtuemart que será inaugurada durante a próxima semana. É a loja virtual da Officelan, uma empresa portuguesa especializada em serviços e produtos para redes wireless.
Esta semana foi inaugurada uma loja construída em plataforma Big Cartel que me deu um enorme gozo, Choose Your Own Head, a loja da Sílvia Silva que há uns dois anos, em conjunto com a Sandra Gouveia, me havia colocado o desafio de construir a Loja de Estar, um projeto entretanto encerrado e que tinha sido totalmente construído em Shopify.

As soluções são diversas. Decida o que quer, como quer e chame a atenção para os seus produtos.

6.10.11

Steve Jobs, o senhor simplicidade

Não sei se terá havido alguém que, nos últimos 35 anos, tenha influenciado tanto a forma como nos relacionamos com a tecnologia como Steve Jobs. Mas quem foi Steve Jobs? Steve Jobs foi um simplificador. Foi um simplificador quando desenvolveu um interface gráfico para o seu Lisa (1983) tornando-o o primeiro computador com ícones, janelas e um cursor controlado por um rato; ou quando no desenvolvimento do iMac integrou o computador e o monitor na mesma "unidade"; ou quando percebeu o que deveria realmente ser um dispositivo leitor de mp3 com o seu iPod; ou quando foi capaz de desenvolver um smartphone ou um tablet computer que pudessem ser usados por qualquer pessoa.
Lembro-me a tremenda surpresa que tive quando recebi à porta, desembalei, liguei à corrente e fiz on no meu primeiro iMac. Ficámos com um computador disponível para trabalhar em menos de 5 minutos. Que simples!
Se me perguntassem o que representa para mim Steve Jobs, certamente responderia: simplicidade.

Apple I (1976)
O primeiro produto da Apple foi um computador para engenheiros, produzido em pequeno número. Steve Jobs foi o responsável pelo financiamento e marketing. O desenho ficou a cargo de Steve Wozniak, o outro fundador da empresa.

Apple II (1977)
Um dos primeiros computadores pessoais bem sucedidos, o Apple II foi desenhado para o mercado de massas. Ainda foi um produto desenhado essencialmente por Wozniak e manteve-se no mercado até 1993.

Lisa (1983)
Depois de uma visita ao centro de pesquisa da Xerox em Palo Alto, Steve Jobs começou a trabalhar no primeiro computador comercial com uma interface gráfica, ícones, janelas e um cursor controlado por um rato. Foi a fundação dos interfaces gráficos que os computadores utilizam atualmente. O Lisa era, no entanto, demasiado caro e não teve sucesso comercial.
Macintosh (1984)
Tal como o Lisa, o Macintosh tinha uma interface gráfica. Era mais barato e mais rápido e tinha uma importante campanha de comunicação associada. Os utilizadores rapidamente perceberam quão útil era a interface gráfica para o desenvolvimento de trabalhos de design. Nasceu aqui a duradoura relação entre os designers e a Apple.
NeXT Computer (1989)
Depois de ter sido despedido da empresa que fundara, Steve Jobs iniciou uma empresa que criou um poderoso computador, o NeXT. Apesar de nunca ter sido um sucesso de vendas esteve na base  de grandes evoluções: o primeiro browser de Internet foi criado num destes computadores. O seu software é ainda a base dos sistemas operativos dos atuais Macintosh e iPhone.
iMac (1998)
Por altura do seu regresso (1996) a Apple vivia uma profunda crise. A introdução do iMac marcaria um momento de viragem. Incrivelmente bem desenhado - acerca do iMac Steve Jobs disse que "a parte de trás do iMac é mais bonita que a parte da frente de qualquer outro computador" - integrava na mesma "bolha" de plástico azul o monitor e o computador. Fácil de instalar acompanhou o crescimento da utilização de computadores em casa e o aparecimento da Internet.

iPod (2001)
Não foi o primeiro leitor digital de música, mas foi o primeiro bem sucedido. Foi o primeiro passo para posteriores sucessos da empresa no mundo dos gadgets eletrónicos.
iTunes (2003)
Antes do iTunes era uma dor de cabeça comprar música digital, tornando a pirataria a melhor solução. A loja simplificou o processo e juntou músicas de todas as principais editoras. Em 2008 tornou-se o maior retalhista de música dos EUA.
iPhone (2007)
O iPhone fez pelo telefone portátil o que o Macintosh tinha feito pelo computador pessoal - fez com que fosse simples a utilização de todo o poder de um smartphone. Hoje em dia a Apple é o mais rentável produtor mundial de telefones e o iPhone é uma influencia evidente em todos os smartphones.
iPad (2010)
Dúzias de empresas, incluindo a Apple, criaram tablets antes do iPad, mas nenhum singrou. O iPad conseguiu criar uma nova categoria de computador praticamente por si só.

3.10.11

Um novo comércio tradicional

Hoje o Público refere que o comércio e a restauração são os setores mais afetados pela crise. Registaram-se apenas no primeiro trimestre do ano 723 encerramentos de lojas de retalho e 423 restaurantes. Estes são, no entanto, os setores com maior número de novas sociedades, no total 2109, representando um saldo largamente positivo.
De facto há muito que venho dizendo que o comércio tradicional não tem os dias contados, bem pelo contrário. O comércio de rua tem características únicas que lhe garantirão, se bem trabalhado, importantes vantagens competitivas face à concorrência das grandes superfícies ou das grandes marcas em regime de franchising.
A tradição, a proximidade, as relações afetivas que se criam entre o comerciante e o cliente, o ambiente familiar, o cuidado e atenção com que os produtos são selecionados, tratados, embalados, tudo são características que muito dificilmente se encontrarão numa grande superfície ou centro comercial.
Atualmente o acesso que qualquer pequeno comerciante tem a um conjunto de ferramentas baratas de comunicação permite-lhe concorrer e bater aos pontos os "golias" que no início dos anos 90 começaram a roubar-lhe a freguesia.
O pequeno comércio deve juntar-se, perceber o que pode fazer para eliminar as desvantagens e deve capitalizar todas as vantagens que tem.
Porque não, por exemplo, juntar um conjunto de pequenos retalhistas de áreas complementares - frutaria, talho, peixaria, mercearia - e construir uma solução de comércio online local, com entregas à porta, à hora que o cliente desejar?

13.7.11

O que penso da reforma administrativa das autarquias

Ao longo das últimas semanas, em conversa com amigos, tem surgido frequentemente o tema da Reforma Administrativa das Autarquias, em especial no que toca à sua aplicação no caso particular do concelho de Ovar.
Já sabemos que no memorando de entendimento entre Portugal, a UE e o FMI foi acordada a redução significativa do número de unidades de administração autárquica até julho de 2012.
Mas, esta data - julho de 2012 - é para o ano! Significa isto que vamos assistir ao desaparecimento ou fusão de freguesias e municípios?
Vou procurar deixar aqui a minha opinião acerca deste assunto, tentando enquadra-la na realidade local.

A divisão administrativa do território português existe, com pequenas modificações pontuais, quase desde a Idade Média. Foram sendo instaladas paróquias e como eram os párocos os responsáveis pela coleta de impostos das atividades económicas existentes foram quem, de uma forma geral, "negociou" os limites das freguesias.
Com base nos seus limites, as freguesias criaram identidade própria, atividades tradicionais e culturais próprias que as distinguem dos vizinhos. Desenvolveram capacidade reivindicativa que lhes permitiu atrair investimento municipal para a freguesia melhorando, assim, as condições de vida local.
A pergunta que, na minha opinião, importa colocar é: será que este tipo de divisão ainda faz sentido?
Diria que em muitos casos sim. Diria também que em muitos casos não.

O poder local deve ser dividido em núcleos de proximidade, independentemente da dimensão populacional desse espaço. Núcleos que deverão ser autónomos, responsáveis e que deverão competir entre si, promovendo um desenvolvimento social, económico e cultural sustentado e apoiado numa crescente participação da população na tomada de decisões.
Estes núcleos de poder local podem ser constituídos por uma ou por várias das atuais freguesias, garantindo sempre um grau de proximidade, que se considere aceitável, mesmo que com pouca população.

O caso do concelho de Ovar
Olhando, com olhos de ver, para o mapa do concelho de Ovar percebe-se a Norte um núcleo urbano denso (o mais denso do concelho) constituído pelas freguesias de Esmoriz e Cortegaça. Um outro a Sul constituído pela área urbana da freguesia de Ovar e pela freguesia de S. J. de Ovar. E depois existem núcleos medianamente urbanos constituídos pelas freguesias de Maceda e Arada, a Norte, Válega a Sul e S. Vicente Pereira a Este.

Ouvi, há dias, alguém com importantes responsabilidades autárquicas preocupado com o nome que teria um núcleo de poder local constituído por freguesias como Esmoriz e Cortegaça ou Maceda e Arada: "Esmogaça? Cortoriz? Macerada?" Nada mais ridículo! Este é o tipo de mentalidade que deveria ter desaparecido com o fim do Séc. XX. Revela uma brutal incapacidade para discutir, programar e construir melhores formas de organização local que permitam o bom desenvolvimento das localidades e das populações.

Esmoriz e Cortegaça - são estas que verdadeiramente me importam - têm uma área total de aproximadamente 20 km2, uma população presente de 15.257 habitantes (dados preliminares do Census 2011), que representam um crescimento de 1,31% relativamente ao censo anterior, e uma densidade populacional de quase 800 habitantes por km2, praticamente o dobro da média do concelho. Seria muito interessante acrescentar aqui outros dados característicos da população: idades, grau de educação, classe de rendimentos, tipo de agregados familiares, etc. Ficará para uma análise posterior ou para quando os resultados finais do censo forem publicados.

As duas freguesias são naturalmente distintas, pela sua história e pela forma como cresceram, mas partilham muitos traços que as distinguem mais das outras do que delas próprias, nomeadamente:
. as praias, divididas naturalmente a Norte pela barrinha de Esmoriz e a Sul pela base aérea e zona florestal;
. um contínuo de espaço natural único para a promoção do turismo de natureza, que se prolonga desde a barrinha de Esmoriz até à base aérea, a Sul. Este espaço florestal será enriquecido, em breve, com o novo parque urbano do Buçaquinho;
. um elemento de arquitectura tradicional única: os palheiros das praias de Esmoriz e Cortegaça;
. um terrível problema de defesa da costa;
. uma linha de costa apoiada por praias com condições excelentes para turismo com base no surf;
. a tradição da tanoaria e da cordoaria;
. um contínuo urbano indistinguível desde as zonas altas das duas freguesias até às zonas de praia;
. a partilha de um conjunto alargado de serviços e equipamentos como as Escolas Preparatória e Secundária, os Bombeiros e a GNR ou a recente piscina dos BVE, as escolas de voleibol do EsmorizGC ou o forte tecido industrial de Cortegaça.

O núcleo urbano constituído por Esmoriz e Cortegaça deve ser considerado como um, deve ser gerido como um e deve ser autónomo e responsável pelo desenvolvimento do espaço urbano das duas freguesias, promovendo políticas de crescimento sustentável da habitação, do comércio, serviços e turismo, da indústria, dos equipamentos sociais existentes e a instalar, dos equipamentos culturais existentes e a instalar, dos equipamentos desportivos existentes e a instalar, dos equipamentos ambienteis existentes e a instalar.

O poder central quer e o poder local tem de aceitar a responsabilidade de assumir o seu destino.
Em Esmoriz e Cortegaça existe capacidade para discutir, para programar e para por em marcha aquilo que melhor defende os interesses das duas freguesias, de forma a construirmos um núcleo urbano forte, capaz de atrair mais e melhor população, mais e melhor turismo, comércio e indústria.

20.12.10

São doces

Detesto a frieza dos sms em série a desejar bom natal, não gosto das mensagens electrónicas com uma lista de 500 e-mails no destinatário, não gosto que me desejem Feliz Natal porque apareço numa lista de clientes. Sei que vou achar um terrível aborrecimento todas as mensagenzinhas de natal que, este ano, vão encher o facebook. Mas para quê?
Custa muito escrever um e-mail dirigido àquela pessoa, com quem nos relacionamos diariamente ou com quem nos cruzámos uma única vez no último ano? Há uns 3 anos que invisto 2 horitas a escrever um e-mail pessoal a amigos, clientes e alguns conhecidos. É quase certo que me esquecerei de alguém, mas faço-o porque acho que cada um me merece esse bocadinho de tempo. Afinal é Natal!
Os meus melhores clientes e os meus amigos mais próximos merecem-me mais que um e-mail pessoal de natal, merecem... um doce!
Pelos vistos é muito bom para uns, é muito bom e muito doce para outros, mas parece que todos gostam. Caros amigos o doce de abóbora é muito fácil, mesmo fácil, de fazer. Li a receita numa revista qualquer, memorizei-a (porque tinha aí umas 2 linhas) e "deitei mãos à obra". Foi uma brincadeira que resultou bem e que se está a tornar uma tradição. Deixo aqui a receita.

1.º Comprar uma boa abóbora menina
2.º Cortar fatias de abóbora, descascá-la e cortar em cubos (mais ou menos 3 x 3 cm). Se forem mais pequenos libertam água mais depressa.
3.º Juntar açucar, paus de canela e vagem de baunilha. Este ano fiz assim: para 3 kg de abóbora juntei 2 kg de açucar, 5 paus de canela e meia vagem de baunilha aberta ao meio (não é partida ao meio é aberta a todo o comprimento)
4.º Deixar a marinar a mistura durante 10h - 12h. A abóbora tem muita água e vão perceber isso com muita facilidade.
5.º Cozer em lume brando, mesmo brando, mexendo sempre até atingir a consistência pretendida. A minha compota levou 6h no fogão. Antes de terminar juntar as nozes, pinhões e amêndoas.
6.º Deixar arrefecer e encher em frascos de vidro.


Et voilá!
Um presente feito por mim para amigos e clientes especiais que me dá um grande prazer oferecer e que, pelos vistos, também gostam de receber.
Nota importante: não misturar água, nunca; não usar a varinha mágina, não é preciso; e usar lume mesmo brando (podem usar um pouco mais forte até ferver e depois reduzir ao mínimo).

14.12.10

Empresas sociais

Há uma coisa que me tem andado a fazer pensar nos últimos tempos: empresas sociais.
A empresa é, tradicionalmente, uma organização que produz e/ou comercializa bens e serviços, podendo assumir diferentes formas jurídicas de acordo com o número e tipo de sócios que tem. No entanto a empresa tem sempre um objectivo final: obtenção de lucro. Algumas pessoas poderão argumentar que não se trata só de lucro, também há um carácter social, de resposta a necessidades e expectativas do mercado. Sim, é verdade, mas é com base na geração de lucro que tudo foi planeado.

Na sociedade actual (refiro-me à portuguesa, pois não conheço bem outras) a precariedade das relações laborais afecta não só trabalhadores indiferenciados, mas também e preocupantemente trabalhadores com um nível de formação muito elevado (licenciados, mestres e doutores).
Concordo com a argumentação de que é importante investir na formação. Diria mesmo mais: não existe investimento tão valioso como a formação, a boa educação. No entanto de que vale formar bem uma geração de portugueses, que tem agora idades entre os 35 e os 20 anos, se depois os seus conhecimentos são desbaratados em desmotivantes contratos a recibo verde, numa relação senhorial em que quem passa o cheque quer, pode e manda?
O que acontece é muito simples:
  1. O jovem bem formado aborrece-se com tanto abuso e sai.
  2. O empresário ri-se e recruta outro jovem bem formado, perdendo tempo na sua integração e formação na nova empresa, e perdendo competitividade. Mas como não se apercebe disso, vai-se rindo.
  3. O primeiro jovem sem trabalho e desesperado, das duas uma, ou sai do país ou acaba por aceitar mais um  infeliz contrato de prestação de serviços.
Sobra o empreendedorismo. Mas, como diz uma pessoa que me é muito querida, empreendedorismo sem rede, não é coragem é estupidez! Quem é que saído da universidade ou depois de ter trabalhado 2, 3, 4 ou 5 anos a passar recibos verdes tem capacidade financeira para manter uma empresa?

Então como se resolve o problema desta geração?
Vou avançar com uma proposta: empresas sociais.

Se a grande maioria dos jovens trabalhadores do conhecimento vive com a angústia de conseguir um salário digno a cada mês que passa porque não permitir que criem empresas sociais em que o fim não é a obtenção de lucro, mas desenvolver conhecimento, desenvolver trabalho para outras empresas, para projectos sociais, fortalecendo a competitividade da economia?

Qual é a diferença para uma associação sem fins lucrativos?
É significativa. A empresa social não tem que constituir uma direcção, uma mesa de assembleia geral nem um conselho fiscal. A empresa social não vive, nem é dependente de subsídios do estado ou das autarquias. A empresa social tem que desenvolver produtos ou serviços adequados ao mercado em que actua, tem de competir, tem de vender os seus produtos ou serviços, tem de cobrar, tem de gerir recursos e tem de crescer.

A empresa social, porque desenvolve uma actividade considerada como fundamental para a competitividade da economia nacional beneficiaria de uma série de condições de discriminação positiva (reduções das taxas de IRC e IVA, redução das contribuições para a segurança social...).

Estas novas empresas teriam de assumir compromissos com a sociedade: tecto salarial bem definido, amplitude de salários mínima, participação activa na vida da sociedade local com apresentação de um plano anual de actividades sociais. Isto para que possa manter o carácter de empresa social.
Para além disso uma parte significativa dos resultados (lucros) deveriam ser devolvidos à sociedade ficando os restantes (diria 33%) como reservas para reinvestimento na empresa.

Este tipo de empresa permitiria criar muitos postos de trabalho justo, estável e motivador, para os tais jovens trabalhadores do conhecimento. Além disso, e mais importante ainda, permitiria criar uma rede de fornecedores e prestadores de serviços de grande qualidade, motivada e a preços muito competitivos, fundamental para o aumento da competitividade da nossa economia.
Uma terceira vantagem é que estas empresas sociais actuariam num mercado aberto e estou quase certo que rapidamente se tornariam mais competitivas que muitas das actuais empresas que pagam por 100 e vendem por 1.000, ajudando a anular muitos dos abusos que se têm vindo a cometer.

Muito difícil por em prática!
Não tenho a mínima dúvida que é. O legislador teria de definir muito bem todas as regras do jogo, para evitar abusos, para evitar fugas, para evitar chico-espertismo. Mas pergunto eu: abusos, fugas e chico-espertismo não é precisamente o que estamos cansados de ver e ouvir?

Nota final: a ideia de empresa social não é nova, no entanto e na minha opinião, a forma como ela é tratada em Portugal não é mais que um conceito de partidos da esquerda muito moderada cuja preocupação é entreter e gastar dinheiro com alguma coisa que use o adjectivo social. Existem empresas sociais em Portugal conhecidas como Empresas de Inserção, mas não têm qualquer significado na economia. Não servem para nada!

22.11.10

cortegaça.pt

Em Novembro de 2010 a agitato inaugurou um importante projecto desenvolvido ao longo de largos meses (ideia, conceito, estruturação, desenho e programação) que marca um ponto de viragem na forma como algumas vilas, cidades ou regiões portuguesas podem comunicar.
O portal cortegaça.pt é um projecto desenvolvido com o objectivo de melhorar a comunicação da Vila de Cortegaça, comunicação interna (para os seus habitantes ou naturais de Cortegaça, os "Primos de Cortegaça", como com orgulho gostam de ser tratados) e comunicação externa (visitantes e turistas em viagem para Cortegaça).

A forma como as Vilas e Cidades portuguesas comunicam é, salvo honrosas excepções, má. São projectos desenvolvidos ou internamente (nas juntas de freguesia e câmaras municipais) ou pagos, a peso de ouro, a empresas de construção de websites que, na grande parte dos casos ou contratam uma avença mensal para serviços de manutenção ou deixam os sites entregues à disponibilidade de recursos das autarquias, obrigando-os a um estado de "raquitismo" de desenvolvimento.

O que a agitato propôs à junta de freguesia de Cortegaça foi o desenvolvimento de um site bem estruturado, bem organizado, com ligações a redes sociais, potenciando ainda mais a relação com a sociedade, um site que se mantivesse activo, actualizado e interessante para os públicos-alvo definidos. E isto tudo a um preço muito, mas mesmo muito reduzido.

Claro que para que este projecto seja bem sucedido e sobreviva é necessário haver, primeiro o envolvimento das colectividades locais no sentido de usarem o site como importante veículo de informação que é, e depois das empresas, apoiando os projectos locais como forma de desenvolvimento da sua imagem de responsabilidade social, ou utilizando espaços para inserção de anúncios comerciais aos seus produtos ou serviços.

Quero finalmente deixar-lhe aqui um convite para uma análise e comentário ao site.

13.7.10

Aprender procedimentos ou aprender a ver?

Na sequência do último artigo que escrevi e num dia em que abrem as candidaturas ao Ensino Superior apetece-me voltar ao tema.
Ontem, a RTP-N perguntava aos telespectadores se o aumento de lugares no ensino superior significava melhor ensino. Que pergunta ridícula, pensei eu.
Que raio tem uma coisa a ver com a outra? Nada!
Existe uma expressão portuguesa que, na minha opinião, deveria ser mais usada:
Olhar com olhos de ver!
Esta expressão diz muito acerca do tipo de ensino com que estamos a preparar os Portugueses. Estamos a ensinar formas de resolver exercícios pré-definidos, ensinamos história (da história, da literatura, da filosofia, da química, da física, da matemática), mas esquece-mo-nos de ensinar a ver, analisar, dar a volta e ver o problema por outro lado, noutra perspectiva.
Só assim poderemos criar coisas novas, resolver os nossos problemas. Num mundo em que toda a gente sabe ler os procedimentos e resolver os exercícios pré-definidos, se só soubermos fazer isso vamos ser mais uma formiga no carreiro, da mesma cor, do mesmo tamanho, trabalhadora como as outras, mas sem nada que a distinga.

Escrevo de fora do sistema de ensino. Sei que existem muito bons professores - eu tive os meus -, mas tenho algumas dúvidas que o sistema esteja preparado para motivar e distinguir esses bons professores.

Curiosamente, um dos bloggers que mais acompanho publicou hoje um artigo acerca deste tema.
É uma boa fonte: ver o artigo do Seth Godin

3.7.10

Nota 20!

Aos 7 anos: então, quantos Muito Bons tiveste?
Aos 12: olá! As notas? Quantos 5 tiveste?
Aos 17: então e as provas específicas? Preparado? Que média precisas para entrar no curso?
E na universidade continua o ritmo de trabalho em busca da nota. O 9,5 na frequência é o mínimo, e entre os que trabalham para a nota máxima e os que bebem uns copos contentando-se com o 9,5 o plano de acção continua a ser baseado em quê? Notas, notas, notas!
Os problemas surgem quando todas estas gerações formadas para a nota, para cumprir planos traçados, para não fugir das regras estabelecidas são sujeitos a problemas que têm de ser resolvidos e com os quais nunca lidaram.
Sem espírito crítico, sem capacidade de busca de soluções, sem desenvoltura para ver os problemas por outra perspectiva acabam por se submeter a decisões, opiniões ou imposições que, no limite, nos levaram à situação em que estamos: uma sociedade deprimida, à espera que alguém de fora nos mostre o caminho, nos dê as lições de que temos saudade e que nos recordam os bons momentos académicos, em que mais jovens apenas tínhamos de seguir o que nos livros era escrito ou mecanizar exercícios à exaustão, raramente percebendo para que serviam.
O pensamento criativo, a busca de soluções alternativas, a coragem de as testar, de as aplicar é o único segredo para o sucesso individual ou de uma sociedade que, como a nossa continua atascada no lodo depressor da falta de liderança, que dura há já vários séculos.

22.6.10

os portugueses não passam cartão à ciência

De acordo com um estudo do Euro Barómetro (ver notícia do Público Online) 35% dos portugueses dizem não se interessar de todo por descobertas científicas e progresso tecnológico.
Sendo este o 4.º valor mais elevado entre os 27 países da União Europeia. Os portugueses ficam atrás apenas da Bulgária, Roménia e Lituânia.
Pois é meus senhores, se enquanto sociedades que se desenvolveram, economias que cresceram tornando-se o destino de tantos emigrantes portugueses, dão importância ao ensino da ciência, ao seu conhecimento, a sociedade portuguesa ainda fechada, parca de espírito crítico, olha para a ciência como uma religião de totós, que usam óculos graduados, calçam uma meia de cada cor e andam com o cabelo em pé.
Se pelos inícios do Séc. XX em Portugal, tal como nesses países onde procuramos asilo económico, se discutisse ciência nos cabeleireiros, nas barbearias e nos cafés, Portugal era hoje muito provavelmente um país na linha da frente do conhecimento e desenvolvimento científico.
Tanto quanto sei, temos 3 jornais desportivos diários. Se houvesse um jornal científico diário, de distribuição gratuita seria bem provável que nomes como João Maguejo, Elvira Fortunato, Carlos Fiolhais ou Nuno Crato fossem tão conhecidos como são os jogadores da selecção nacional.
E com esse jornal, nem imaginam a quantidade de golos que marcaríamos!

21.6.10

uma ideia para o país

É óbvio!
Vamos lá ver então o que é assim tão óbvio.
Em Portugal há uma geração de pessoas de grande valor, que assumiu grandes responsabilidades e conquistou grandes triunfos democráticos. São baby boomers que estarão com idades entre os quase 60 e os 75 anos.
Esta geração teve uma infância difícil, com sacrifícios e essencialmente falta de liberdades. Apesar de todas as dificuldades alguns tiveram a oportunidade, coragem, capacidade para conquistar o acesso àquilo que era um recurso muito reservado: formação. Não de carácter, formação académica.
Como já disse, muito fizeram, e por tudo o que fizeram recebem uma pensão de reforma da segurança social. Aliás, justiça lhes seja feita, foram eles os grandes responsáveis pelo enchimento dos cofres da segurança social nas décadas de 70, 80, 90.
Até aqui tudo parece funcionar de forma perfeita.
O problema parece-me surgir quando vejo tantos, mas tantos mesmo, cargos directivos de empresas, instituições ou organizações públicas ou privadas geridas ou dependentes de dinheiros públicos, ocupados por membros desta geração de baby boomers.
Ainda na universidade escrevi um trabalho acerca da construção do futuro. Defendo que para construir o futuro devemos contar com um conhecimento profundo do passado, da história.
Assim, todo o conhecimento e experiência desta geração de baby boomers são cruciais para que o nosso país se desenvolva, cresça e progrida de forma a gerar uma sociedade mais justa e equilibrada.
Mas, pergunto eu: toda esta geração não tem um compromisso social de transmitir esse conhecimento, essa experiência de forma voluntária?
Porque razão existem tantos e tantos directores com vencimentos bastante acima da média, que acumulam com pensões de reforma?
Serei estúpido, idiota ou naïve por achar que estes cargos deveriam ser ocupados por uma geração mais jovem (com 30, 40 ou 50 anos)?
Parece-me que em todas estas instituições ou organizações deveriam ser constituídos conselhos de sábios ou anciãos (não estou de todo a ser cínico) para a transmissão de toda essa experiência e conhecimento, para o conselho avisado às decisões dos mais novos.
Na sociedade humana as coisas funcionaram sempre assim. Porque não agora?
Estes conselheiros, que já recebem pensões de reforma, não têm de receber um vencimento pelo seu trabalho.
Devem devolver o conhecimento e experiência adquirida às gerações mais novas, de forma altruísta e por forma a deixarem à sociedade aquilo que de mais valor conseguiram: o conhecimento.

20.6.10

histórias de livros

Por estes dias muito se tem falado de Saramago. Entre tantas conversas e discussões, sempre mais em torno da figura, da distribuição de cinzas e da presença ou não desta ou daquela personalidade nas cerimónias fúnebres, do que da sua escrita, a minha mãe relembrou-me uma, já velha, história do primeiro Saramago que entrou cá em casa.
Lembro-me agora de uma Feira do Livro na Escola Secundária de Esmoriz, estaria eu com 14 anos, quando comprei o meu primeiro Saramago. Decisão de compra partilhada entre a minha vontade de oferecer um bom livro ao meu pai e o conselho do meu professor de Biologia, Rui Mateus (para alguns conhecido como Jo, o Índio, de quem guardo boas memórias e a minha única expulsão de uma aula. Inocente, inocente!).
Fui procurar o livro.
Lá estava ele. O Evangelho Segundo Jesus Cristo, ali mesmo por baixo da Bíblia Sagrada.
Que outro lugar poderia ter o livro que falta àquele?

10.6.10

à espera do comboio na paragem do autocarro

às cegas andamos, procurando caras, corações, mãos que, por força de vontades desconhecidas, desenham mapas iguais de navegações tocadas por ventos tempestuosos que nos levam a sair deste Porto.
navegações para fora deste Porto em que retemos o olhar cego, com medo do levante, dos novos ventos soprados de cabos nunca dobrados.
navegantes solitários nos tornámos, com o coração apertado, com a saudade da partilha de visões, de imagens, de estórias e histórias.
barcos sós num oceano de temperamentos imprevistos, onde navegamos procurando pedras no céu. procurando e voltando a encontrar aquela outra pedra rubra, aquela a que um dia, depois de muitas brincadeiras de criança, decidimos viajar para sempre.
e nesta paragem em que cegos permanecemos, o comboio não chega.

9.6.10

istambul

não resisti a decorar este texto com uma fotografia panorâmica de Istambul (sim, fui eu que tirei e o Photoshop compôs).
bem e agora o texto.

Taksim? Taksim? Ten lires, same price, same price! O taxista enche o carro com 4 desconhecidos a caminho da praça Taksim, bem no centro de Istambul. Piscas, não existem! Antes uma buzinadela para avisar que vem gente a trás. Pela esquerda, pela direita o taxi carregado de turcos e um português rola numa via de acesso moderna entre um mar de carros, não chocolateiras, carros a sério. Curva à direita, curva à esquerda, turcos p'ra cima do português, português p'ra cima dos turcos. Será esta a noção de melting pot? Não!
Passa já das 24 horas e finalmente chegamos à Taksim. Mas o que é isto? É 5.ª feira à noite, os istambuleses não dormem?  As ruas estão apinhadas de famílias, de grupos de jovens, de luzes, de carros, de vida.
Caminhei estarrecido Istiklal Caddesi abaixo. Uma pequena exposição de fotografias atraiu a minha atenção. Mas... esta foto faz-me lembrar uma cidade que muito bem conheço! Não! É mesmo Istambul.
Mais abaixo reconheço o aroma doce, mas de Outono, de castanhas assadas. E não é que são mesmo castanhas assadas ou kestanes como dizem os turcos.
Numa travessa por entre mesas de gente a fumar narguile, por entre montras de restaurantes que preparam comidas de aromas desconhecidos ouço as atoardas musicais de bares que procuram a atenção de quem passa. Finalmente o Hotel. Nada de luxos que os orçamentos anda pelas ruas da amargura.

Istambul é muito mais que que os circuitos percorridos entre espanhóis que berram, japoneses que fotografam, americanos que parecem mamutes humanos sempre à frente de toda a gente. Istambul é muito mais que a inacreditável e indescritível igreja ou mesquita da Santa Sabedoria, é mais que a Mesquita Azul, o Palácio de Topkapi ou o Grande Bazar. É mais, mas ficamos sempre a conhecer de menos.
Istambul é um verdadeiro melting pot de culturas, de tradições, de material genético misturado ao longo de 30 séculos que a transformou em lugar único, vivo, incrivelmente europeu e ao mesmo tempo árabe, ortodoxo, grego, curdo, arménio ou até português, como a palavra que usam para laranja: portakal! What means portakal? À pergunta obtenho como resposta: um. Torci o nariz e ao fim de mais três ou quatro tentativas de diálogo percebi que os guias de viagem não sabem o que dizem quando dizem que os istambuleses de uma forma geral falam Inglês. No hotel, nos museus, em alguns cafés e numa ou outra loja entende-mo-nos uns aos outros, mas fiquemos por aí. Confirmei mais tarde a minha suspeita de que portakal significa mesmo laranja e ao mesmo tempo Portugal. Estranho não é? Como estranho é ver na montra da Nike o manequim com o equipamento da selecção portuguesa e aos pés a bola "A equipa de todos nós".
De todos nós, quem? É que só naquela cidade vivem 14.000.000 de pessoas. De pessoas como o Volkhan, aquele professor de matemática que encontrei numa pequena manifestação contra o desemprego de professores (pelos vistos são cerca de 30.000 na Turquia). Palavra puxa palavra Ricardo Quaresma, José Mourinho, Cristiano Ronaldo, mas a seguir vieram mesmo as surpresas. Não é que o Volkhan conhece a Mariza e "uma brasileira que se chama Teresa Salgu Eiro". Expliquei que esta Teresa Salgueiro é bem portuguesa, mas caí de rastos quando ele me disse que conhecia uma outra coisa de Portugal: o "malau malau". O quê? O Malhão Malhão! Sim, por breves segundos tentei dançar e cantar o que me recordava de ver nalgumas romarias por onde passei. Nada mais que uma caricatura mal feita dos extraordinários ranchos folclóricos do nosso Minho.

Existe em Istambul uma forte presença da cultura intelectual latina. Seja pela música que se ouve nos modernos cafés e restaurantes, seja até pelo eléctrico da Istiklal Caddesi que, não sei porque razão, me faz lembrar Buenos Aires. Não sei se por fotografias, se por leituras ou se pelo simples desejo de conhecer o Sul.
A Capital Europeia da Cultura 2010 é uma cidade moderna, modernidade reflectida no surpreendente Istambul Modern, que mereceria um edifício da mão de Siza Vieira, ou nas diferentes galerias com mostras de trabalhos de artistas turcos, ou de renomeados artistas como Botero, presente no Museu Pera.

Istambul é isto, mas é tudo o resto que fica por descrever e tudo o muito que ficou por conhecer, são Igrejas com 15 séculos e Mesquitas com 5, são arranha-céus com 40 andares e arménios que coleccionam o lixo do chão, são muçulmanos que não deixam qualquer espaço livre em mesquitas às 4h30 da manhã, são turcas lindas que passeiam sozinhas pela rua, são muçulmanas tão lindas que passeiam de braço dado com os pais, são turcos de 70 anos que nos apertam a mão quase até nos vergar e explicam que tanto vigor se deve a muito iogurte e rakia, são mansões nas margens do Bósforo e quase barracas nalgumas zonas da cidade.

É uma cidade que não deve ficar por visitar.

Mais fotografias no meu Facebook.

7.6.10

a importância de conhecer

Na minha recente viagem a Istambul chegada a hora de iniciar as despedidas à cidade, entrei num dos vários modernos e cosmopolitas cafés da Istiklal Cadesi para tomar um chá.
Sorte, grande sorte a minha, pois ao meu lado estava sentado um amigo Camaronês - Tanko - colaborador na NATO, muçulmano que visitava a cidade para a grande manifestação a favor do Povo Palestiniano. Feitas as apresentações, Cristiano Ronaldo, Etoo e José Mourinho na conversa, política, poderes militares, religião e Palestina.
Mas sorte das sortes, ao fim de alguns minutos juntou-se um dos mais proeminentes intelectuais islâmicos da actualidade, o Professor Rachid Benaïssa.
Num passeio Istiklal Cadesi acima até à Praça Taksim assisti a uma discussão apaixonada, compreendi muitos dos problemas existentes no Médio Oriente, fiquei a conhecer factos de discriminação cultural para com as diferentes comunidades islâmicas, dei a minha visão católica e portuguesa do que se passa.
Esta experiência enriqueceu muito a fundamentação das minhas opiniões acerca dos problemas políticos/religiosos a que assistimos. Convido-vos a procurarem fazer o mesmo, lerem opiniões, conhecer os factos, conhecer pessoas para que, cada um de nós, possa construir uma opinião fundamentada e ajudar a desenvolver, de forma activa, uma sociedade global mais livre, mais igualitária, mais respeitadora da diferença.

O Professor Rachid Benaïssa nasceu na Argélia e é essencialmente conhecido como ex oficial internacional da UNESCO (1978-2002), um importantíssimo cargo diplomático daquela organização. É um distinto intelectual muçulmano que influenciou gerações com as suas ideias e seminários desde os anos 60. Benaïssa apresentou mais de 200 conferências internacionais sobre diferentes temas, essencialmente educativos, culturais, religiosos e políticos. O Professor Benaïssa é um especialista em linguística que ainda lecciona na Universidade de Viena. Fala Berbere, Árabe, Francês, Inglês, Persa, Hebraico, Russo e Bósnio. Neste momento trabalha num dicionário de linguística acerca da origem árabe dos idiomas modernos.

2.6.10

as escolas que fecham

Nos últimos dias tem vindo a lume o novo programa de reestruturação do ensino, que prevê fechar todas as escolas do ensino básico que tenham menos de 21 alunos.
E isto vem, mais uma vez, mostrar a razão de muitos, mas mesmo muitos dos nossos problemas estruturais: a falta de planeamento urbano.
Ao viajar por Portugal, na actualidade, percebe-se claramente que existe uma forte densidade populacional junto do litoral, em especial a norte, com pequenas cidades e vilas em contínuo desde Aveiro a Braga.
À primeira vista até parece muito interessante haver cidadezinhas de 10.000 a 20.000 habitantes. Mas, o problema é que uma cidade assim não tem dimensão para poder oferecer as condições de vida que a sociedade urbana moderna exige - boas escolas, transportes públicos, hospitais, bibliotecas, boas áreas comerciais, boas áreas de lazer e desporto...
O facto de todos querermos o nosso hospital, a nossa escola, biblioteca ou piscina faz com que os recursos sejam dispersos por poucos utilizadores, empobrecendo o país e deixando toda a gente "assim assim", nem bem nem mal. Assim que o ser humano deixou de ser nómada estabeleceu comunidades, pequenas aldeias, depois vilas e mais tarde núcleos urbanos mais densos, mas não se dispersou. A dispersão urbana parece ser uma ideia pouco racional de ordenamento, causadora de empobrecimento e condições de vida invariavelmente insatisfatórias. Os portugueses parecem todos exigir o seu canto, sem perceber muito bem quais serão as consequências. Talvez isso faça de nós um povo especial, um país especial, mas com um preço a pagar.
Eu não percebo nada de planeamento urbano ou ordenamento do território, apenas escrevo acerca do que vou vendo. E a mim vejo um país pobre, dependente e estruturalmente frágil e encontro uma razão: dispersão territorial da população.
Aceitam-se opiniões. ;)

29.5.10

guia de arquitectura norte e centro de portugal

Hoje, dia 29 de Maio, é apresentado no Hotel Infante Sagres, na Praça D. Filipa de Lencastre, o Guia de Arquitectura do Norte e Centro de Portugal. Um guia com prefácio do Arquitecto Álvaro Siza Vieira, que apresenta as mais interessantes obras de arquitectura construídas no Norte e Centro do país, após o ano de 1974.
Álvaro Siza, no texto introdutório do livro afirma: “…Posso pessoalmente prever o interesse que despertará a publicação deste Guia… A procura de Guias de Arquitectura, não só por parte de arquitectos, acompanha hoje o hábito e gosto generalizados de viajar.”
Este guia, da autoria dos arquitectos Nuno Campos e Patrícia Matos (Traço Alternativo - arquitectos associados), que contou com a colaboração da Agitato na paginação, design gráfico e acompanhamento do projecto (fotografia de capa e de uma das obras), responde de forma eficaz aos anseios de todos aqueles que gostam de visitar obras de arquitectura: um guia com boas obras, fotos esclarecedoras, mapas e, inovando neste ponto, com coordenadas GPS.

Para este e futuros guias foi construída uma plataforma digital (em fase final de testes) que permitirá ao utilizador obter informação actualizada acerca das obras do guia que comprou e das obras que vão sendo construídas pelo país. Na plataforma será possível fazer o download do ficheiro relativo a cada obra. Vale bem a sua visita.

21.5.10

Manter segredos na Internet

Este título parece um paradoxo do mundo em que vivemos. Ou então um comentário näif de alguém que anda "um pouco" alheada do que é a Internet.
Seth Godin escreve acerca de um site que dá uma mãozinha a quem tem segredos que quer partilhar apenas com algumas pessoas.
O projecto Trick.ly permite a publicação de endereços de Internet semi-protegidos por uma pergunta para a qual apenas algumas pessoas poderão conhecer a resposta.
Por exemplo eu deixo aqui um link para um segredo que quero partilhar apenas com os meus amigos próximos.
Assim que seguirem o link é feita uma pergunta, por exemplo: Que prato gosto de cozinhar para os meus amigos?
Só quem souber a resposta tem acesso à página.
Pode ser útil, não pode? ;)