15.11.11

Ainda acerca de histórias e marcas

Por vezes perguntam-me como é que se pode contar a história de uma marca de forma relevante.
Não é realmente fácil, mas há quem o consiga fazer com uma genuinidade e simplicidade notáveis.
Esse é mesmo o segredo: genuinidade e simplicidade.

14.11.11

Marcas, turismo e histórias

A base de construção de uma marca passa fundamentalmente pela qualidade da história (ou estória) que sejamos capazes de contar e pela forma como a contamos.
Mas e se for possível contar várias histórias numa mesma história?
Os Pastéis de Belém acabam de fazer isso.
Com um conjunto de ilustrações de André Carrilho embalam a sua história e contam um pouco da história do Fado, que é também a de Portugal.


Aprender HTML e CSS

Vários são os meus clientes e amigos que me colocam questões acerca de HTML ou CSS. De facto há já quem afirme que no mundo de Internet em que vivemos esta é uma linguagem tão fundamental como o Inglês.
Encontrei um excelente curso, totalmente gratuito, que pode ser muito útil para dar os primeiros passos ou até mesmo para servir de referência a quem já domina a linguagem.

Pode aceder à página do curso clicando aqui.

11.11.11

Atenção e comércio online

Num recente e interessante post de Seth Godin ele escreve acerca da escassez de meios vs escassez de atenção. Antigamente para chegarmos junto dos nossos clientes tínhamos de estar onde estava toda a gente, na mesma feira, na mesma rua, no canal de televisão que toda a gente via ou na estação de rádio que toda a gente ouvia.
Hoje podemos ter o nosso canal de televisão ou a nossa rádio, podemos prometer mundos e fundos, podemos ser o vendedor de meias e cuecas a berrar promoções a cada minuto que passa na romaria lá da terra. Já não importa quem berra mais alto ou quem está à altura dos olhos na prateleira do super-mercado. O que conta é a relação criada com o nosso público.
Ainda assim é preciso existir, estar presente nalgum lado. É preciso saber para onde é que estamos a chamar a atenção.
O comércio online já não é novidade nenhuma, e muitas são as empresas que se aventuram numa plataforma de comércio virtual.
Deixo aqui quatro soluções diferentes para construção de uma loja virtual:
. Virtuemart para Joomla! - uma solução sem custos mensais, mas muito exigente do ponto de vista de personalização. Exigente, mas muito flexível. Pode ser necessário adquirir um largo conjunto de extras e tem de ser instalada em Joomla!, um software gratuito para construção e gestão de sites.
. Shopify - uma excelente solução para quem não domina programação, nem tem um bom orçamento para investir na construção de uma loja totalmente personalizada. Disponível em diferentes "pacotes" de serviço, tem um custo mensal fixo e uma comissão por cada transação efetuada.
. Big Cartel - uma solução para pequenas lojas, com limite no número de produtos. Tem um custo mensal fixo bastante mais baixo que o Shopify e não cobra uma comissão por transação efetuada.
. Vendder - é uma solução de uma empresa portuguesa e poderá ser colocada entre a solução Shopify e a solução Big Cartel. Tem limite de produtos e um custo mensal fixo mais baixo que o Shopify. Também não cobra comissão por transação.

Qualquer uma das soluções permite personalização da loja, podendo modificar a estrutura da loja, as cores, as fontes, a forma como aparecem os produtos, os menus, etc. Tudo depende daquilo que pretende fazer. Até hoje só não trabalhei com Vendder, mas depois de uma análise mais aprofundada da solução parece funcionar de forma muito idêntica ao Shopify e Big Cartel, com duas importantes vantagens: a empresa é portuguesa e tem solução para loja multilingue.

Neste momento estou a finalizar uma loja com solução Virtuemart que será inaugurada durante a próxima semana. É a loja virtual da Officelan, uma empresa portuguesa especializada em serviços e produtos para redes wireless.
Esta semana foi inaugurada uma loja construída em plataforma Big Cartel que me deu um enorme gozo, Choose Your Own Head, a loja da Sílvia Silva que há uns dois anos, em conjunto com a Sandra Gouveia, me havia colocado o desafio de construir a Loja de Estar, um projeto entretanto encerrado e que tinha sido totalmente construído em Shopify.

As soluções são diversas. Decida o que quer, como quer e chame a atenção para os seus produtos.

6.10.11

Steve Jobs, o senhor simplicidade

Não sei se terá havido alguém que, nos últimos 35 anos, tenha influenciado tanto a forma como nos relacionamos com a tecnologia como Steve Jobs. Mas quem foi Steve Jobs? Steve Jobs foi um simplificador. Foi um simplificador quando desenvolveu um interface gráfico para o seu Lisa (1983) tornando-o o primeiro computador com ícones, janelas e um cursor controlado por um rato; ou quando no desenvolvimento do iMac integrou o computador e o monitor na mesma "unidade"; ou quando percebeu o que deveria realmente ser um dispositivo leitor de mp3 com o seu iPod; ou quando foi capaz de desenvolver um smartphone ou um tablet computer que pudessem ser usados por qualquer pessoa.
Lembro-me a tremenda surpresa que tive quando recebi à porta, desembalei, liguei à corrente e fiz on no meu primeiro iMac. Ficámos com um computador disponível para trabalhar em menos de 5 minutos. Que simples!
Se me perguntassem o que representa para mim Steve Jobs, certamente responderia: simplicidade.

Apple I (1976)
O primeiro produto da Apple foi um computador para engenheiros, produzido em pequeno número. Steve Jobs foi o responsável pelo financiamento e marketing. O desenho ficou a cargo de Steve Wozniak, o outro fundador da empresa.

Apple II (1977)
Um dos primeiros computadores pessoais bem sucedidos, o Apple II foi desenhado para o mercado de massas. Ainda foi um produto desenhado essencialmente por Wozniak e manteve-se no mercado até 1993.

Lisa (1983)
Depois de uma visita ao centro de pesquisa da Xerox em Palo Alto, Steve Jobs começou a trabalhar no primeiro computador comercial com uma interface gráfica, ícones, janelas e um cursor controlado por um rato. Foi a fundação dos interfaces gráficos que os computadores utilizam atualmente. O Lisa era, no entanto, demasiado caro e não teve sucesso comercial.
Macintosh (1984)
Tal como o Lisa, o Macintosh tinha uma interface gráfica. Era mais barato e mais rápido e tinha uma importante campanha de comunicação associada. Os utilizadores rapidamente perceberam quão útil era a interface gráfica para o desenvolvimento de trabalhos de design. Nasceu aqui a duradoura relação entre os designers e a Apple.
NeXT Computer (1989)
Depois de ter sido despedido da empresa que fundara, Steve Jobs iniciou uma empresa que criou um poderoso computador, o NeXT. Apesar de nunca ter sido um sucesso de vendas esteve na base  de grandes evoluções: o primeiro browser de Internet foi criado num destes computadores. O seu software é ainda a base dos sistemas operativos dos atuais Macintosh e iPhone.
iMac (1998)
Por altura do seu regresso (1996) a Apple vivia uma profunda crise. A introdução do iMac marcaria um momento de viragem. Incrivelmente bem desenhado - acerca do iMac Steve Jobs disse que "a parte de trás do iMac é mais bonita que a parte da frente de qualquer outro computador" - integrava na mesma "bolha" de plástico azul o monitor e o computador. Fácil de instalar acompanhou o crescimento da utilização de computadores em casa e o aparecimento da Internet.

iPod (2001)
Não foi o primeiro leitor digital de música, mas foi o primeiro bem sucedido. Foi o primeiro passo para posteriores sucessos da empresa no mundo dos gadgets eletrónicos.
iTunes (2003)
Antes do iTunes era uma dor de cabeça comprar música digital, tornando a pirataria a melhor solução. A loja simplificou o processo e juntou músicas de todas as principais editoras. Em 2008 tornou-se o maior retalhista de música dos EUA.
iPhone (2007)
O iPhone fez pelo telefone portátil o que o Macintosh tinha feito pelo computador pessoal - fez com que fosse simples a utilização de todo o poder de um smartphone. Hoje em dia a Apple é o mais rentável produtor mundial de telefones e o iPhone é uma influencia evidente em todos os smartphones.
iPad (2010)
Dúzias de empresas, incluindo a Apple, criaram tablets antes do iPad, mas nenhum singrou. O iPad conseguiu criar uma nova categoria de computador praticamente por si só.

3.10.11

Um novo comércio tradicional

Hoje o Público refere que o comércio e a restauração são os setores mais afetados pela crise. Registaram-se apenas no primeiro trimestre do ano 723 encerramentos de lojas de retalho e 423 restaurantes. Estes são, no entanto, os setores com maior número de novas sociedades, no total 2109, representando um saldo largamente positivo.
De facto há muito que venho dizendo que o comércio tradicional não tem os dias contados, bem pelo contrário. O comércio de rua tem características únicas que lhe garantirão, se bem trabalhado, importantes vantagens competitivas face à concorrência das grandes superfícies ou das grandes marcas em regime de franchising.
A tradição, a proximidade, as relações afetivas que se criam entre o comerciante e o cliente, o ambiente familiar, o cuidado e atenção com que os produtos são selecionados, tratados, embalados, tudo são características que muito dificilmente se encontrarão numa grande superfície ou centro comercial.
Atualmente o acesso que qualquer pequeno comerciante tem a um conjunto de ferramentas baratas de comunicação permite-lhe concorrer e bater aos pontos os "golias" que no início dos anos 90 começaram a roubar-lhe a freguesia.
O pequeno comércio deve juntar-se, perceber o que pode fazer para eliminar as desvantagens e deve capitalizar todas as vantagens que tem.
Porque não, por exemplo, juntar um conjunto de pequenos retalhistas de áreas complementares - frutaria, talho, peixaria, mercearia - e construir uma solução de comércio online local, com entregas à porta, à hora que o cliente desejar?

13.7.11

O que penso da reforma administrativa das autarquias

Ao longo das últimas semanas, em conversa com amigos, tem surgido frequentemente o tema da Reforma Administrativa das Autarquias, em especial no que toca à sua aplicação no caso particular do concelho de Ovar.
Já sabemos que no memorando de entendimento entre Portugal, a UE e o FMI foi acordada a redução significativa do número de unidades de administração autárquica até julho de 2012.
Mas, esta data - julho de 2012 - é para o ano! Significa isto que vamos assistir ao desaparecimento ou fusão de freguesias e municípios?
Vou procurar deixar aqui a minha opinião acerca deste assunto, tentando enquadra-la na realidade local.

A divisão administrativa do território português existe, com pequenas modificações pontuais, quase desde a Idade Média. Foram sendo instaladas paróquias e como eram os párocos os responsáveis pela coleta de impostos das atividades económicas existentes foram quem, de uma forma geral, "negociou" os limites das freguesias.
Com base nos seus limites, as freguesias criaram identidade própria, atividades tradicionais e culturais próprias que as distinguem dos vizinhos. Desenvolveram capacidade reivindicativa que lhes permitiu atrair investimento municipal para a freguesia melhorando, assim, as condições de vida local.
A pergunta que, na minha opinião, importa colocar é: será que este tipo de divisão ainda faz sentido?
Diria que em muitos casos sim. Diria também que em muitos casos não.

O poder local deve ser dividido em núcleos de proximidade, independentemente da dimensão populacional desse espaço. Núcleos que deverão ser autónomos, responsáveis e que deverão competir entre si, promovendo um desenvolvimento social, económico e cultural sustentado e apoiado numa crescente participação da população na tomada de decisões.
Estes núcleos de poder local podem ser constituídos por uma ou por várias das atuais freguesias, garantindo sempre um grau de proximidade, que se considere aceitável, mesmo que com pouca população.

O caso do concelho de Ovar
Olhando, com olhos de ver, para o mapa do concelho de Ovar percebe-se a Norte um núcleo urbano denso (o mais denso do concelho) constituído pelas freguesias de Esmoriz e Cortegaça. Um outro a Sul constituído pela área urbana da freguesia de Ovar e pela freguesia de S. J. de Ovar. E depois existem núcleos medianamente urbanos constituídos pelas freguesias de Maceda e Arada, a Norte, Válega a Sul e S. Vicente Pereira a Este.

Ouvi, há dias, alguém com importantes responsabilidades autárquicas preocupado com o nome que teria um núcleo de poder local constituído por freguesias como Esmoriz e Cortegaça ou Maceda e Arada: "Esmogaça? Cortoriz? Macerada?" Nada mais ridículo! Este é o tipo de mentalidade que deveria ter desaparecido com o fim do Séc. XX. Revela uma brutal incapacidade para discutir, programar e construir melhores formas de organização local que permitam o bom desenvolvimento das localidades e das populações.

Esmoriz e Cortegaça - são estas que verdadeiramente me importam - têm uma área total de aproximadamente 20 km2, uma população presente de 15.257 habitantes (dados preliminares do Census 2011), que representam um crescimento de 1,31% relativamente ao censo anterior, e uma densidade populacional de quase 800 habitantes por km2, praticamente o dobro da média do concelho. Seria muito interessante acrescentar aqui outros dados característicos da população: idades, grau de educação, classe de rendimentos, tipo de agregados familiares, etc. Ficará para uma análise posterior ou para quando os resultados finais do censo forem publicados.

As duas freguesias são naturalmente distintas, pela sua história e pela forma como cresceram, mas partilham muitos traços que as distinguem mais das outras do que delas próprias, nomeadamente:
. as praias, divididas naturalmente a Norte pela barrinha de Esmoriz e a Sul pela base aérea e zona florestal;
. um contínuo de espaço natural único para a promoção do turismo de natureza, que se prolonga desde a barrinha de Esmoriz até à base aérea, a Sul. Este espaço florestal será enriquecido, em breve, com o novo parque urbano do Buçaquinho;
. um elemento de arquitectura tradicional única: os palheiros das praias de Esmoriz e Cortegaça;
. um terrível problema de defesa da costa;
. uma linha de costa apoiada por praias com condições excelentes para turismo com base no surf;
. a tradição da tanoaria e da cordoaria;
. um contínuo urbano indistinguível desde as zonas altas das duas freguesias até às zonas de praia;
. a partilha de um conjunto alargado de serviços e equipamentos como as Escolas Preparatória e Secundária, os Bombeiros e a GNR ou a recente piscina dos BVE, as escolas de voleibol do EsmorizGC ou o forte tecido industrial de Cortegaça.

O núcleo urbano constituído por Esmoriz e Cortegaça deve ser considerado como um, deve ser gerido como um e deve ser autónomo e responsável pelo desenvolvimento do espaço urbano das duas freguesias, promovendo políticas de crescimento sustentável da habitação, do comércio, serviços e turismo, da indústria, dos equipamentos sociais existentes e a instalar, dos equipamentos culturais existentes e a instalar, dos equipamentos desportivos existentes e a instalar, dos equipamentos ambienteis existentes e a instalar.

O poder central quer e o poder local tem de aceitar a responsabilidade de assumir o seu destino.
Em Esmoriz e Cortegaça existe capacidade para discutir, para programar e para por em marcha aquilo que melhor defende os interesses das duas freguesias, de forma a construirmos um núcleo urbano forte, capaz de atrair mais e melhor população, mais e melhor turismo, comércio e indústria.