9.2.12

Ele está muito calado... já fez alguma!

Lembro-me que os meus pais (imagino que os vossos também) tinham uma capacidade especial para perceber quando andávamos a fazer alguma. Normalmente alguma asneira. Vamos crescendo e essas asneiras de criança começam a ter significado, começam a afetar outras pessoas e marcam os caminhos que vamos percorrendo.
Sempre gostei de traçar os caminhos que percorro, mesmo que sejam esburacados, mesmo que não tenham saída e tenha de inverter a marcha, mesmo que sejam mais longos. São os meus caminhos, são as minhas decisões. Talvez me sinta confortável com o facto de não ter de "atirar" culpas a ninguém por aquilo que me acontece.
Neste período inicial do ano tenho andado muito calado.
Diriam os meus pais: "Já fez alguma!"
Respondo eu: "Sim, ando mesmo a aprontá-la!"
No início da próxima semana vou inaugurar um novo caminho, construído com dois pares de mãos, dois cérebros e um grande prazer.
Ao participar na sua continuada construção vou ter a oportunidade de fazer coisas que realmente gosto: vou poder brincar com legos e vou poder dar uma mão à construção dos caminhos de outras pessoas.
E tudo isto em boa companhia. Fiquem atentos que as novidades estão para breve. ;)

20.1.12

Radio killed the video star

Isto pode até ser apenas uma constatação pessoal, mas nunca deram por vocês a olhar para a televisão e pensar: "mas que raio estou eu aqui estarrecido* a olhar p'ra isto!?"
Considero que no mundo que estamos a construir há já muito mais espaço para um meio de comunicação como a rádio do que como a televisão. Sendo, a televisão, um meio de comunicação que exige pelo menos dois sentidos: visão e audição, perde claramente para um meio como a rádio que nos deixa bem mais disponíveis para fazer outro tipo de coisas: trabalhar, correr, conduzir, andar de bicicleta, fazer um bolo ou limpar a casa.
A televisão perde também para a rádio noutra área fundamental: personalização de conteúdos.
Atualmente existe um conjunto tão largo, mas tão largo de rádios (essencialmente online) que é possível personalizar e ajustar o que ouvimos precisamente aos nossos gostos.
A rádio permite um consumo individual, coisa muito difícil para quem utiliza a televisão.

E os jornais? Hum, os jornais.
Pois esses vão começar a ser lidos em direto, vão criar os seus próprios canais de rádio online e permitirão aos leitores/ouvintes fazer o acompanhamento instantâneo da evolução de um determinado tema ou notícia.

Para ilustrar este post nunca poderia meter aqui o "Video killed the radio star" dos Buggles. Em vez disso vou deixar aqui a música que estava a passar na minha rádio preferida - a Radar.fm que aconselho vivamente - enquanto escrevia.
Escolham boas rádios, esqueçam a televisão e bom trabalho. ;)


*estarrecer: embora no dicionário signifique ficar apavorado, ter medo, desde sempre na minha zona o verbo estarrecer era atribuído a alguém que fica parado sem reação, fica estarrecido.

18.1.12

A luta pela "pirataria"

Vivemos um momento de enormes mudanças nas nossas sociedades, na forma de fazer negócios, na forma como as economias se organizam, na forma como os estados se relacionam com os seus cidadãos. Uma enorme revolução foi iniciada com a proliferação da Internet. Uma revolução que marcará a sociedade humana bem mais do que marcou a invenção de Gutenberg ou a da máquina a vapor.
E sempre, na história da humanidade, os momentos de revolução e corte com o passado geraram enormes resistências por parte de quem assentou o seu poder e bem-estar na forma como as coisas eram feitas. É uma resistência absurda. A força está sempre do lado dos cidadãos, esses que constituem o verdadeiro mercado. Esses sairão sempre vencedores. Sempre!

Todo o conhecimento é património humano!
A nossa sociedade está já quase totalmente e continuadamente ligada. Todos somos influenciados por todos e nem todos nos apercebemos disso.
Problemas de financiamento de meios de comunicação social, de centros de investigação, de artistas audio-visuais?
A minha aposta é que a sociedade, ela própria, vai decidir em quem e como investir.

12.1.12

Os blogs e os velhos influenciadores

Há dias li um artigo no Público acerca de blogs - "Uma década depois do boom, o que é feito dos blogs?" - e já que até mantenho um blog aproveito para deixar aqui algumas das minhas ideias acerca daquilo que considero ser hoje o mundo dos blogs, das redes sociais e da comunicação social.
Começo por apresentar alguns dados recentes da Internet em Portugal:
  • Em Portugal existem 5,7 milhões de utilizadores de Internet, sendo que 70% destes acedem diariamente à Internet;
  • Os utilizadores de Internet passam uma média de 14,1 horas online por semana contra as actuais 13,7 horas que passam a ver televisão semanalmente;
  • 39% dos espetadores de televisão portugueses navega na Internet ao mesmo tempo;
  • Diariamente em Portugal a audiência do YouTube é superior à do programa mais visto na televisão;
  • 4,5 milhões de portugueses utilizam as redes sociais.
    (fontes: Google; Marktest, Mediamonitor)
O Facebook é um fenómeno de popularidade inacreditável. A razão é uma e responde a uma necessidade muito básica do ser humano: socializar. Mandar bitaites, mostrar o que sabe deste ou daquele tema, imaginar que é o centro do mundo, saber que o que escreve pode ser imediatamente lido pelos amigos e receber feedback instantâneo. Simplesmente genial!
Considero o Facebook uma importante ferramenta de "amplificação" de tudo o que de bom ou mau acontece na Internet (e se não está na Internet é porque não aconteceu). No entanto o Facebook não me parece ser a ferramenta ideal para a produção de conteúdos. Diria que é o púlpito no centro da praça onde todos podemos ir, dizer e fazer o que nos apetece, sendo que o público pode ouvir ou fazer de conta, pode dizer ámen e cruzar os dedos ao mesmo tempo.
Já o blog é um meio de comunicação diferente. Sendo individual e tendo um endereço próprio exige ao leitor/seguidor um pequeno esforço para ler/ver/ouvir o que aquele autor tem para dizer. O autor sente-se em casa, tem todo o tempo de antena que desejar, pode escrever muito ou pouco, pode organizar o espaço como entender e manter um longo arquivo de conteúdos organizados por temas. Quem o lê fá-lo intencionalmente e pode depois falar aos outros acerca daquilo que leu. Penso que o blog (ou site pessoal) continuará a ser o espaço digital de expressão individual por excelência.
E a comunicação social? Mas porque razão meti eu a comunicação social ao barulho? Porque o futuro (tal como o passado mais longínquo o foi) é de liberdade e não vai mais ser controlado por uma opinião "pública" construída com base em meios de comunicação social de massas. Os nossos antepassados ouviam quem lhes interessava e falavam para quem os queria ouvir. Durante as décadas mais recentes a sociedade viveu "presa" à opinião publicada tida como verdade. No futuro (isto já é verdade) ouvimos quem quisermos e o que quisermos, falamos para quem nos quiser ouvir, formamos tribos de pessoas que partilham opiniões, que seguem as mesmas tendências e que respeitam as tribos vizinhas. Os influenciadores deixaram de ser aqueles que têm tempo de antena na rádio, televisão ou jornal, os influenciadores são aqueles que cada um quer seguir.

10.1.12

Amor e emprego

Graças à Sílvia Silva descobri recentemente a Swissmiss e nas minhas consultas diárias àquilo que por aí realmente se passa vi este vídeo inacreditável. O casal que é dono da livraria Type em Toronto passou noites atrás de noites a dar vida aos livros que guardam nas estantes. E isto fez-me lembrar a incrível diferença que existe entre quem faz o que realmente gosta, com amor, e aqueles que simplesmente cumprem as tarefas que lhes são atribuídas, porque não têm outro "remédio".
A diferença entre ser e parecer está no somatório de muitas pequeninas coisas que podemos não saber explicar, mas que, sem dúvida, sentimos. E eu tenho a certeza que nesta livraria me sentiria bem.

13.12.11

Um guião de sucesso por Seth Godin

Há largos anos que acompanho os textos do Seth Godin. Reconheço que tem sido uma importante influência. O seu post de hoje é um verdadeiro guião de sucesso. É o que procuro fazer há muito tempo. Não sei se o faço convenientemente, mas tento. Deixo aqui uma tradução livre. Quem quiser o original basta clicar aqui.

Isola-te de pessoas furiosas com tudo e todos
Expõe-te a arte que ainda não compreendes
Mede com precisão os resultados que são importantes
Torna-te cego a todas as estatísticas que não interessam nem ao Menino Jesus
Falha com frequência
Faz coisas e mostra-as, vende-as, entrega-as, partilha-as
Lidera mais e perde menos tempo a gerir
Procura situações de desconforto
Cria impacto nas pessoas que são importantes para ti e realmente te interessam
Torna-te melhor nas tuas capacidades que te distinguem dos outros e fá-lo melhor que qualquer um outro
Não copies tanto e cria mais
Faz mais discursos
Ignora o aconselhamento não solicitado

10.12.11

Arriar porrada e pedir esmola

Fico sempre muito contente quando vejo alguém que não fica à espera de determinadas condições ideais ou de um idealmente rechonchudo subsídio para fazer seja lá o que for.
Os pais da escola primária onde aprendi a ler - Escola Primária de Gondesende, Esmoriz - este ano já decoraram a fachada do edifício com luzes, já enfeitaram uma grande árvore no recreio e, inédito, criaram um conjunto de trenó, renas e pai-natal que está a decorar a rotunda junto do Intermarché. Parabéns!
A liberdade constrói-se fazendo, com o necessário respeito pelas autoridades administrativas (autarquias, direções, ministérios), mas sem lhes estender a mão pedinchona. Só assim podemos criticar quando o tivermos de fazer, só assim nos tornámos livres. Ou vamos arriar porrada e depois pedir esmola?!