7.5.12

Mães que são mais que canções, livros ou filmes

Ontem foi dia da mãe.
Lemos, ouvimos e vemos histórias em livros, canções ou filmes, histórias daquelas de amor que fazem as mulheres chorar e sonhar com príncipes encantados e finais felizes; e que fazem homens esconder-se por trás de máscaras frias e duras de uma falsa apatia. Lá terá de ser.
São histórias infinitamente contadas, mas... e as histórias verdadeiras? Aquelas que vamos conhecendo por aí.
A minha mãe não vai ler isto, mas ela é metade de uma das mais incríveis histórias de amor que conheço. Como tantas outras histórias, esta resistiu à separação pelas armas de São Bento e recebeu a bênção e graça de Deus. Não terá sido por este, mas pela força do amor que resistiu a todo aquele tempo de trabalho, de contrariedades, de dúvidas e da mais cruel das batalhas, que nunca vencida, mas resistida, de pé, com beijos e abraços, lágrimas de dor e sorrisos de alegria, até que, como um dia a meio de Agosto lhes fizeram desnecessariamente jurar, a morte os separe.
Mãe, obrigado!

1.5.12

Sobre dar sem esperar nada em troca

Nas creative mornings organizadas pela Tina aka swissmiss o último convidado foi Simon Sinek que fez uma apresentação fabulosa e inspiradora que fala de relações de trabalho, de relações entre pessoas, de dar e de receber. É tempo ganho.

27.4.12

A nossa ajuda no trabalho dos outros

O nosso trabalho na agitato permite-nos acompanhar e fazer parte de vários produtos, serviços, projectos, o que é de facto, o que mais me agrada. Há relativamente pouco tempo iniciámos uma colaboração com uma instituição privada de solidariedade social que tem vindo a desenvolver, para além de outros, um trabalho de valorização da pessoa idosa que me agrada particularmente.
O cuidado com a imagem e o valor das histórias de vida daqueles idosos que por ali passam os dias e onde, em breve, terão o seu 'Porto de Abrigo' merece o meu aplauso.
Um dos serviços que temos prestado é a ilustração dos rostos dos idosos. Desenhadas pelo Hugo é um serviço que nos deixa orgulhosos. Obrigado aO Abrigo.


21.4.12

Os meus ficheiros perdidos - parte II

O passo hesitante,
a voz quase muda...

sim, porque nunca percebi:
podemos ser uns grandes engatatões, cheios de confiança e convencimento, mas dizer o que se sente, nos olhos da menina por quem brilham os nossos... ficamos estranhamente emudecidos.

Intrigante esta relação entre coração e palavra. Sempre funciona melhor transformar uma folha branca num emaranhado de letras escritas numa ordem determinada por sentimentos que a língua trava.

Bem, mas dizia eu que:
com o passo hesitante e a voz  quase muda, avançou. A menina da lua estava ali, com o sorriso e o brilho no rosto que só poderia ser das estrelas.

- Danças comigo?

A música marcava os passos, mas os passos desalinhavam com os sons. Os passos, como a voz, ficavam hesitantes numa dimensão de dúvida, num mundo de infinita certeza, marcada por uma dúvida impossível, levando-o para um estado de ansiedade trémula onde vivem os que amam para dentro.
A música terminou.

- Nem correu mal!

Ele sentiu na mão dela a força que precisava para a levar da sala, para fora, onde o céu, aberto, cheio de brilho encantado de tantas outras estrelas os esperava.

Deitados, mão na mão, de olhar fixo naquela constelação... sim, era aquela a quem chamam Orion. Aquelas três estrelas alinhadas, mesmo ao centro, iguais aos três sinais que ele descobrira dias antes nas costas lindas da menina da lua.

Queria tanto beijá-la, queria tanto percorrer a linha daquela constelação com 1.000 beijos.

Uma outra luz, amarela, surgiu no horizonte, mais forte, no mapa do céu: Marte, brilhava longe de todas as outras.

Lembrou-se da pedra avermelhada que tinha trazido da viagem ao deserto. Redonda, linda, cheia de personalidade, mas baça. Tirou-a do bolso e estendeu-a à menina da lua.

- Para a tua coleção de pedras baças!
É Marte!

Um dia vou comprar uma viagem e vou descolar da Terra.
Vou a Marte.
Sim, para sempre!











A 25 de Maio de 2008, a Phoenix "pousou" em Marte, sendo apenas a 3.ª "aterragem" bem sucedida na superfície daquele planeta.


Todas as imagens são propriedade da ESA - www.esa.int

20.4.12

Dos marrões e de outras confusões

marrar v. intr. dar marrada; bater com a marra; turrar; esbarrar com alguém; encontrar; ficar parado e atento (o cão) ao pressentir a caça; teimar; toldar-se (o vinho) [acad.] decorar (De marra+-ar).
Esta é a definição de marrar que nos é apresentada pela 8.ª edição revista e actualizada do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora.

Feitas as devidas introduções vou-me dedicar um pouco ao Seth Godin e aos seus textos acerca do esquisito.
A tecnologia tem permitido à sociedade evoluir no sentido de um abatimento naquela que seria considerada uma distribuição normal de comportamentos. Desde que Henry Ford, no início do Séc. XX, desenvolveu a capacidade de produção em massa a baixo preço, toda a sociedade 'ocidental' evoluiu no sentido de promover a massa, a normalidade, o padrão. Todos pensávamos de forma idêntica, líamos os mesmos livros, vestíamos a mesma moda, víamos e ouvíamos os mesmos programas de televisão, as mesmas rádios, os mesmos discos. Quando aparecia alguém fora desta 'normalidade' era, obviamente, um anormal, ou um artista, na melhor das hipóteses.
Mas depois apareceu a TV por cabo, a Internet e ganhámos tempo, e tivemos liberdade para fazer o que quisemos, pensar como quisemos, vestir o que nos apetecia. A tecnologia deu-nos liberdade para sermos mais nós. (Sim, não foram os militares ou os políticos que nos deram a liberdade, foram mesmo os cientistas e os empreendedores).
E agora, o que é que isto tem a ver com marrar? (E que palavra tão feia!)
Agora que saímos da caixa da normalidade, temos opinião e queremos fazer alguma coisa para mudar o que consideramos estar mal, acabamos, quase sempre, por dar com a cabeça (marrar) num sistema construído para uma sociedade normal.
O que fazer então?
Diria que existem três opções:
1. Marrar até partir a lei ou a cabeça;
2. Fazer uma reunião de marrões, marrar uns nos outros e virem para a rua, uns e outros, mostrar os seus troféus;
3. Deixar de ser marrões, usar o que está por trás da testa, dar a mão à lei e ajudá-la a evoluir no sentido de uma sociedade diferente, uma sociedade que saiu da caixa.

Tomei a liberdade de legendar um gráfico da distribuição normal com base num original do livro do Seth Godin e adaptá-lo ao texto que escrevi. Diria que quanto mais afastados da caixa, mais marrões nos tornamos, os que se afastam para a esquerda e os que se afastam para a direita. E considerando que a tendência é haver um acentuado abatimento do centro atirando 'ondas' para as extremidades vejo com grande preocupação a vontade de tanto 'marrão' tomar conta disto tudo.
Perceberam!?

18.4.12

Do nome das terras

Já conto alguns anitos e muitos quilómetros percorridos neste país que me permitiram conhecer alguns nomes de terras um pouco estranhos. Alguns dos mais estranhos serão: o Colo do Pito, a Campa do Preto, a Catraia do Buraco, a Venda da Gaita, o Vale da Rata, o Vale de Mortos, a Vila Nova do Coito, o Rego do Azar ou o Cu de Judas, na ilha de S. Miguel. Mas dei hoje com a notícia de uma localidade austríaca que tem o belo nome de Fucking e cujos residentes vão referendar a mudança ou não do nome da terra.
Por mim era não, de caras!

15.4.12

Os meus ficheiros perdidos - parte I


Enquanto penso se vou apanhar uma bela rajada de vento pela praia decidi remexer nalguns ficheiros perdidos e re-descobri os macro-universos paralelos do John Drucker. Há outros ficheiros perdidos? Sim, há, mas tenho de os por a arejar.

2023, Berkeley, CA

John Drucker, astro-físico americano, recebia o Prémio Nobel naquele ano. Numa das suas cidades, os amigos esperavam-no para uma tertúlia de disparates, na noite que antecedia o vôo para Estocolmo. Avenida Sta. Bárbara, bar do Gavin, “half pint”. Os 15 anos de eurekas erradas estavam bem longe dali, mas um gole a mais sacou a rolhas a brincadeira de criança que garantia a sanidade mental do cientista. Na primeira pessoa e sem verbo, John avançou:
- Na viagem com o fotógrafo Philip Night, uma esplanada do norte de Portugal, menina da lua, jogo das nove pedras de cores diferentes e baças... Sandy, o amigo, interrompeu a lufada de anti-depressivo:
- Não! Quero os Macro-Universos Paralelos de Drucker!
Estava na altura. John carregou no “On” e iluminou as mentes presentes. E a sua e a de Sandy. Enquanto arriscava que o Sistema Solar é uma projecção do átomo de flúor na tabela periódica, o seu coração dançava com a menina de rosto redondo. Do latim infinito; do grego, gosto por viver. A menina da lua estava destinada a sorrir. Nariz isósceles, sempre empinado. Rabo de cavalo, claro, com alguns cabelos insubordinados. Neta do salsicheiro do mercado mais falado do Porto. A banca mais visitada, pela linguiça fresca. Quem disse que é o molho que faz a francesinha inesquecível? A menina passou a meninice a subir e a descer escadas. Pintava, bordava, escrevia, até calhamaços lia. Tinha teorias sobre como caminhar: – Endireita as costas e peito de rôla, mas respira à vontade. Também tropeçava, a menina. Ficou perita nos tropeções em pedras baças. Só o fez uma vez, com imperfeição, da maneira que dá uma estória. Distraída, enquanto Magueijo a admirava atento, com os pés não assentes na Terra. Não gostava de viajar, a menina: – Para quê?, perguntava quando lhe perguntavam os inocentes. Só João viu na cara redonda outro planeta. Com luz tão própria que era dos outros. Afinal tinha viajado uma vez, com cabelos brancos. Tinha estado no bar do Gavin, em 2023. Sandy assistia ao regresso do amigo. Só ele sabia da história de Magueijo. Do nascimento de John Drucker. A mudança de nome pela cidadania americana.
Pela ciência.

A duas mãos, por Pedro Maia e Filipe Soares


O Filipe Soares é um amigo, que está longe, e com quem partilhei estórias e contos mínimos.
A publicação dalgumas das estórias que fui escrevendo foi motivada, mesmo sem que ela o saiba, pela Joana Cabral deste blog.