21.3.14

Pensar uma cidade

Este é um pequenito texto que tem como objetivo assentar algumas ideias que fazem parte da minha forma de pensar a cidade. É um texto pessoal, não representando a opinião de nenhum órgão de decisão.

Pensar o desenvolvimento de um pequeno território como é o caso de Esmoriz, julgo ser uma das tarefas mais difíceis a que alguém se pode propor. Porquê? Por três razões muito simples:
A primeira porque é um território pequeno (pouco mais de 9 km2), mas com uma população superior a 12.000 habitantes e extremamente dinâmica, quer do ponto de vista associativo - é grande o conjunto de coletividades na cidade, algumas delas sobrepondo-se na ação -, quer do ponto de vista económico, com um bom conjunto de empresas locais que alcançam sucesso internacional e garantem boa parte do mercado de trabalho da cidade.
Em segundo lugar porque tem uma localização muito exigente, entre Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Ovar e Espinho, cada uma delas com características diferentes, mas que funcionam como importantes "concorrentes" à relevância que Esmoriz tem/pode ter na região entre Douro e Vouga.
Em terceiro lugar porque, ao contrário de qualquer uma destas cidades, Esmoriz não é sede de município e ainda que considere que não é importante Esmoriz ser município (é, atualmente, uma luta sem sentido) considero também fundamentais os recursos (financeiros, técnicos e humanos) a que uma cidade sede de município tem acesso para que possa "concorrer" de  forma justa com os vizinhos.

Não tendo acesso a todos esses recursos, teremos de fazer mais uso de dois outros que ninguém pode usar por nós: a capacidade de pensar e a capacidade de realizar.
Mas estas duas capacidades têm de ser usadas naquela ordem e nunca inversamente. Numa cidade tão dinâmica e ávida de mostrar que é, pelo menos, tão boa como as vizinhas, a ordem destas capacidades pode facilmente ser invertida e corremos o risco de desvirtuar um conjunto de boas ideias e boas intenções. Corremos o risco de dispersar esforços, corremos o risco de desalinhar realizações do posicionamento que se vai definindo para a Cidade, corremos o risco de, no limite, parecermos uma mixórdia de realizações, muito bem intencionadas, mas que não têm um fio condutor.

Esmoriz é, hoje, reconhecido porque razões?
Porque razões queremos que Esmoriz venha a ser reconhecido?

Há um largo conjunto de questões semelhantes a estas que importa responder, que estão a ser respondidas e pensadas e que, mais cedo do que tarde, terão resultados positivos, mas sempre naquela ordem: pensar, por pouco que seja, e depois realizar.

Como dizia a minha avó Filomena: não vás com muita sede ao cântaro que o cântaro vai partir!

1 comentário:

Anónimo disse...

Esmoriz poderia perfeitamente ser concelho... E acredito que um dia poderá vir a sê-lo, desde que o mar não trate de engolir já uma boa parte da localidade, pois só assim poderá lutar com a concorrência vizinha que é, como disseste e bem, muito forte. Já não acredito que Ovar e Espinho resolvam o problema da Barrinha, se calhar até nem lhes interessa muito, porque temem que a nossa época balnear seja talvez mais preenchida do que a deles.
Para além disso, com uma maior capacidade de investimento e uma atenção mais especializada derivadas do estatuto municipal, Esmoriz poderia actuar nesta questão com outros meios que neste momento não dispõe.
E já agora com essas verbas mais requintadas, teríamos se calhar menos ruas esburacadas... o que era excelente.
Reconheço méritos à actual JF de Esmoriz, mas a luta pelo estatuto municipal, embora esquecida neste momento pouco propício para essas questões, não pode ser esquecida.
Se essa possibilidade se proporcionar nos próximos anos por algum motivo, acho que Esmoriz deve ser um dos concelhos a propor a sua elevação e não deixar-se antecipar por outros, independentemente de partidarismos...